Medicamentos ficam quase 5% mais caros

Por Jorge Guimarães
O mês começa com aumento de 4,5% nos preços dos medicamentos. A alta foi autorizada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos do Governo Federal, baseada nos números registrados pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor (INPCA). A medida afeta uma variedade de remédios essenciais.
Preços praticados
Os reajustes não representam um aumento automático de preços, mas um limite máximo. As empresas podem optar pela aplicação do índice total ou menor, dependendo de sua estratégia comercial.
— De acordo com cada estabelecimento, levando em conta a sua reposição de estoques e das estratégias comerciais, o aumento a ser praticado pode demorar alguns dias — avaliou o gerente de uma farmácia, Hyago Saldanha.
Aumento
O aumento de 4,5% em abril segue uma tendência de incremento nos preços dos medicamentos ao longo dos últimos anos. Para muitos consumidores, isso significa uma escolha difícil entre a compra de medicamentos essenciais e outras despesas básicas, como alimentação e moradia.
— Os medicamentos são elementos fundamentais para o bem-estar e a saúde da população, sendo essencial a acessibilidade a preços razoáveis. No entanto, o constante aumento dos preços dos remédios representa uma barreira significativa para muitos, especialmente para aqueles com recursos financeiros limitados — avalia o farmacêutico André Luiz Vasconcelos.
O profissional também expressa outra preocupação.
— Além disso, o aumento dos preços dos medicamentos pode ter impactos adversos na saúde pública, incentivando a automedicação, que é prejudicial à saúde, ou até mesmo a interrupção do tratamento devido à dificuldade de arcar com os custos. Isso pode resultar em consequências graves para a saúde e o bem-estar da população — pontua.
Pesquisa
Diante desse cenário, Vasconcelos ressalta a importância de garantir valores acessíveis, com políticas de controle de preços, incentivos à produção local e investimentos em saúde pública.
— Portanto, é necessário que sejam tomadas ações concretas para garantir que os medicamentos permaneçam acessíveis e que o direito à saúde seja protegido para todos os membros da sociedade. A saúde não deve ser um luxo, mas, sim, um direito fundamental a ser preservado e protegido a todo custo — finaliza o farmacêutico.
Concorrência
A principal alternativa encontrada pela aposentada Ana Lúcia Alves para minimizar os custos é pesquisar em diferentes drogarias. Ela trata de uma doença rara e, há seis anos, precisa tomar uma série de medicamentos.
— Já estou calejada de pesquisar preços e peço até o desconto dado pelo laboratório e, caso não consiga, tento em outra drogaria. Por exemplo, eu tomo um anticoagulante que custa, em média, sem esse aumento, em torno de R$ 260,00 a cartela com 28 comprimidos. Fazendo minhas pesquisas, já consegui comprar até por R$ 219,00, que já é uma ótima diferença. Eu gasto, em média, R$ 450,00 mensais, e já vou começar as minhas ligações para ver onde está mais barato — conta.
Procon
Aumentos maiores do que o estabelecido devem ser denunciados à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) através do site gov.br/anvisa.
O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) também deve ser acionado. Em Divinópolis, o órgão de defesa do consumidor funciona na avenida Getúlio Vargas, número 121, anexo ao Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC).
No programa Farmácia Popular, remédios para hipertensão, diabetes ou asma ficam disponíveis de graça nas redes credenciadas do Aqui tem Farmácia Popular. O programa também oferece outros remédios com preços até 90% mais baixos. Basta ir a uma farmácia credenciada, apresentar a identidade e a receita, que não necessita ser de um médico do Sistema Único de Saúde (SUS).
Foto: Jorge Guimarães
Remédios sofrem alta com base nos números do IPCA
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