Medidas eleitorais em relação às mulheres trarão desafios

Da Redação
Maioria no eleitorado de Divinópolis e do Brasil, as mulheres, no entanto, ainda são minoria no processo eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promulgou uma medida que busca diminuir o abismo entre candidaturas masculinas e femininas. Para isso, determinou que 30% das candidaturas lavradas fossem de candidatas e também que 30% dos valores do fundo eleitoral deveriam ser destinados a elas, numa tentativa de mudar as estruturas do poder. Outra alteração no sistema eleitoral que foi adotada recentemente e vai impactar nas eleições deste ano é o fim das coligações.
Dados
Segundo dados do TSE, algumas medidas têm resultado em avanços. Em 2018, por exemplo, em disputas para vagas no Congresso Nacional, Câmaras Estaduais e governos estaduais, houve crescimento no número de eleitas, total de 16,20% das candidaturas, representando 52,6% de aumento em relação às eleições gerais de 2014.
Ficou ainda evidente que partidos tentam burlar as candidaturas femininas para cumprir a cota estipulada de 30%, com as chamadas “candidaturas-laranja”. De acordo com o TSE, das 24 candidaturas que não receberam nenhum voto nas eleições, 21 são de mulheres. Ainda não há nenhuma lei direcionada ao combate das “candidaturas- laranja”, mas o próprio órgão eleitoral adverte que candidaturas que não recebam nenhum tipo de apoio partidário, sem qualquer oferecimento de recursos e com votação inexpressiva, estão passíveis ao enquadramento de candidaturas falsas.
Divinópolis
A cidade reafirma a performance nacional de pouco espaço para as mulheres na política. Desde 1912, Divinópolis elegeu Ivone Guimarães, Maria das Dores Manoel (Dorzinha), Eliana Piola, Heloísa Cerri e Janete, a última eleita em 2016, sendo a quinta mulher a compor o Legislativo Municipal.
Questão cara aos moldes de velha política tão replicados na cidade do Divino, a representatividade feminina em Divinópolis e no Brasil ainda é um assunto pouco debatido.
Renovação
Em Divinópolis, com as novas regras para as eleições municipais, partidos já começam a se organizar e sondar lideranças femininas para compor as cotas na disputa de 2020. As conversas e reuniões políticas se intensificam e, com isso, os personagens políticos já são especulados e ganham força pela cidade.
Em relação à presença feminina no processo eleitoral, Lohanna França, de 24 anos, já se apresenta como pré-candidata a uma cadeira na Câmara Municipal.
Recém-formada pelo Renova BR, a estudante já é sondada por vários partidos, como o Avante, PSD e Cidadania. Para ela, as mulheres lidam com dificuldades que os homens não enfrentam, principalmente na política, e isso tem raízes históricas.
— Historicamente, tornar-se homem era reinvidicar o direito da fala – e não foi à toa que os problemas femininos foram historicamente silenciados. Um claro exemplo do silenciamento histórico que as mulheres sofreram é a ausência de sanitários femininos no Senado até 2016. A mudança começou, mas a roda ainda precisa girar por muito tempo para que as condições entre os gêneros sejam menos discrepantes, inclusive em nossa cidade — afirmou Lohanna.
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