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Saúde

Menino que morreu com suspeita de dengue grave não estava vacinado 

Menino que morreu com suspeita de dengue grave não estava vacinado 

Da Redação

O caso do adolescente de 14 anos que  morreu na manhã deste sábado, 8, na UPA de Divinópolis, com suspeita de dengue grave, chama atenção em um quesito:  ele não recebeu nenhuma dose da vacina contra a doença. As informações  foram obtidas pelo Agora, por meio de uma fonte. José de Souza Duque Siqueira, morava no bairro Bela Vista e estudava na Escola Estadual Martin Cyprien. Ele retornaria à unidade de ensino nesta segunda-feira, 10, na volta às aulas da rede estadual. 

Divinópolis enfrenta um alto número de casos de dengue, especialmente nos bairros São José e Catalão, que estão entre os mais afetados. Atualmente, o Catalão registra oito casos confirmados, enquanto o São José contabiliza sete.

No ano passado, o bairro São José foi o segundo com maior incidência de dengue na cidade, com 695 casos confirmados, já o Catalão, registrou 510 casos. O bairro mais afetado foi o Centro, com 1.165. 

Caso 

O adolescente foi levado na sexta-feira, 7, à unidade de saúde, apresentando febre alta, dores intensas pelo corpo, náuseas e manchas na pele. Imediatamente, foi encaminhado à Sala de Urgência, onde recebeu os primeiros atendimentos. Com a gravidade do quadro, a equipe acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para transferi-lo ao Complexo de Saúde São João de Deus. 

No entanto, antes que o deslocamento pudesse ocorrer, o estado de saúde do adolescente se agravou, o que impossibilitou um transporte seguro.

Em seguida, o adolescente sofreu uma parada cardiorrespiratória, e mesmo com manobras de respiração da equipe médica, por cerca de uma hora, não resistiu.  A morte foi declarada pelo médico plantonista.

Exames laboratoriais indicaram uma queda significativa no número de plaquetas, além de outras alterações compatíveis com um quadro grave de dengue, classificado como Grupo D – o estágio mais grave da doença.

Luto 

A diretoria da UPA lamentou a perda e se solidarizou com os familiares e  amigos. José estudava na Escola Estadual Martin Cyprien, no bairro São José, a qual também expressou lamento pela morte do aluno.

 — Nesse momento de dor, expressamos nossas condolências à família, colegas e amigos. Que encontrem força e conforto — publicou a escola, através das redes sociais.

Dengue em Divinópolis

De acordo com a última atualização dos casos de dengue, até a tarde de ontem, 10, a cidade apresentava 93 casos confirmados apenas neste ano, 34 hospitalizações, e três mortes em investigação. 

Ações intensificadas 

A Prefeitura vem  intensificando as ações contra a doença, após os resultados do último Levantamento Rápido de Índices para Aedes Aegypti (LIRAa) e a previsão de aumento nos casos devido ao período endêmico. 

— Com as novas portarias organizativas, os agentes de endemias terão a obrigação de realizar, no mínimo, 25 visitas diárias para receberem integralmente o auxílio deslocamento. A alteração elimina a possibilidade de acumulação de visitas em determinados dias, uma prática que, devido à média apurada, permitia que alguns dias tivessem um número menor de visitas — afirmou. 

Agora, o número de visitas será apurado diariamente, garantindo constância e eficácia nas ações de combate ao Aedes aegypti. Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) está ampliando o número de mutirões de limpeza nos finais de semana, abrangendo mais bairros em menos tempo.

Prevenção da doença

O Executivo local também pede que a população dedique 10 minutos diários para inspecionar locais que possam acumular água parada, como vasos de plantas, pneus, calhas e ralos, além de proteger recipientes e participar dos mutirões de limpeza.

Sintomas da dengue

Nem sempre a infecção apresenta sintomas. A pessoa pode ter uma dengue assintomática ou um quadro leve. Mas é preciso ficar atento se tiver febre alta (39ºC a 40ºC), de início repentino, acompanhada por pelo menos outros dois sintomas: dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, náusea e vômito, manchas vermelhas no corpo. 

A forma grave é a que preocupa. Após o período febril, é preciso ficar atento aos sinais de alarme: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos em cavidades corporais, sangramento de mucosa e hemorragias. 

O Ministério da Saúde (MS) alerta que é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados ao apresentar possíveis sintomas de dengue.

Dengue grave 

Por muitos anos, a forma mais severa da dengue foi classificada como "dengue hemorrágica", mas o termo não é mais usado pela comunidade médica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alterou  em 2009, a  para "dengue grave", movimento adotado pelo Ministério da Saúde em 2014.

A alteração no termo ocorreu porque a hemorragia não é o principal sintoma da forma mais severa da doença. Em muitos casos, ela não se manifesta. Especialistas afirmam que o que mata na dengue é a desidratação, não a hemorragia. 

— Quando a dengue se agrava, se tem um consumo maior de plaquetas e isso tende ao sangramento, mas nem sempre isso acontece — explicam.

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