Município recebe R$ 1 milhão de repasses em dois dias

Maria Tereza Oliveira
Enfim, os repasses do Estado parecem caminhar para regularização. A Prefeitura recebeu nesta semana, entre segunda-feira, 8, e terça-feira, 9, R$ 1.214.638,02 em recursos estaduais e federais. Dentre os repasses, foram encaminhados, pelo Governo, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o transporte escolar estadual e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Após os atrasos que se estenderam por todo o ano passado, e nos primeiros meses de 2019, o Estado ainda deve a Divinópolis R$ 120 milhões, sendo R$ 105 milhões da Gestão Pimentel (PT) e quase R$ 16 milhões do Governo Zema (Novo). As consequências dos atrasos podem ser vistas nas faltas de obras no Município.
A quantia, mesmo que consideravelmente menor em relação às divulgadas anteriormente, segue sem atraso. Conforme informou a Prefeitura, os repasses estão normalizados e não há recursos retidos.
Estrago feito?
Todavia, mesmo com as verbas chegando, conforme salientou o Executivo em diversas ocasiões, o estrago já estava feito, pois a maior arrecadação da Gestão é em janeiro. Para gerar mais receita, a Prefeitura adotou uma série de medidas.
Após ter os três primeiros meses do ano turbulentos, os repasses estaduais estão em dia. Pelo menos é o que apontam os dados divulgados na edição de ontem do Diário Oficial. A dívida deste ano do Governo Zema (Novo) com Divinópolis é de R$ 12 milhões, mas, desde abril, de acordo com a Prefeitura, os recursos estão vindo pontualmente.
Embora o Município lamente os milhões não recebidos, os serviços essenciais prestados continuam sem interrupções.
— Mesmo sendo com recursos reduzidos e com mais dificuldades, a população não perdeu os serviços — ressaltou a Administração.
Entretanto, o mesmo não pode se dizer em relação às obras – uma das principais características dos governos anteriores do prefeito Galileu Machado (MDB).
— Não há recursos para fazer investimentos. Não sobra para realizar obras — explicou.
Acordo da paz
A mudança em relação aos repasses sequestrados veio após o acordo de Romeu Zema com a Associação Mineira de Municípios (AMM), para a quitação dos repasses atrasados. As partes chegaram a um consenso no dia 4 de abril, após muitas polêmicas e até ameaças de impeachment.
Apesar da alteração, a dívida equivalente ao início de 2019 deve ser quitada nos três primeiros meses de 2020. O débito deixado pelo ex-governador Fernando Pimentel (PT) será dividido em 30 vezes, sendo a primeira parcela paga em abril de 2020, e a última, em setembro de 2022.
Embora os repasses estejam chegando, o Município destacou em maio que, mesmo com a atual normalização, as consequências dos atrasos são inevitáveis.
— O estrago já foi feito. Nossa maior receita era a de janeiro e esta ficou retida — lamentou.
Os recursos em questão eram de IPVA e ICMS.
Salvação pela anistia
Além dos gastos já previstos, a partir deste mês será incluso o pagamento previsto por lei do gatilho salarial aos funcionários de 4,59%. Segundo a Prefeitura, a concessão do reajuste irá aumentar a folha de pagamento em cerca de R$ 18 milhões.
Para tentar equilibrar as contas, o Executivo criou o projeto de lei 027/2019, que tem como intuito dar anistia aos juros para quem quitar os débitos com o Município. O projeto foi apreciado pelos vereadores e aprovado.
De acordo com a Prefeitura, a iniciativa faz parte de uma série de providências necessárias para o enfrentamento das dificuldades financeiras provocadas pelo quadro econômico no qual o país se encontra.
Pelo texto, o Executivo fica autorizado a promover o recebimento de débitos municipais, sejam de natureza tributária ou não, inscritos ou não em dívida ativa, ainda que ajuizados e protestados, ficando condicionado o acesso do contribuinte aos descontos legais aos pagamentos do valor devido até 30 de agosto.
Conforme o texto, “os débitos de qualquer natureza alcançados pela presente lei serão consolidados de acordo com a legislação em vigor e são aqueles cujos fatos geradores ocorreram até 31 de dezembro de 2018, e poderão ser quitados em parcela única, com desconto de 95% dos juros e da multa de mora”.
Esperança no IPTU
Outra aposta da Prefeitura para arrecadar mais é através do Projeto de Lei (PL) 81/2018. Ele tem como intuito atualizar a planta de valores do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), que está desatualizada há quase 25 anos. O projeto chegou à Câmara em outubro do ano passado, mas ainda não foi colocado em votação.
Existe uma resistência da oposição em aprovar a proposta. Em entrevista ao Agora, o procurador da Secretaria Municipal da Fazenda (Semfaz), Márcio Azevedo, disse que a principal questão para a correção da planta é que ela serve de base para calcular o IPTU e também para o Imposto Sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).
Também de acordo com o procurador, a principal causa para que os valores não correspondam à realidade tem relação com a época em que os loteamentos foram aprovados.
— Neste tempo, os bairros não tinham tanta infraestrutura. Com os anos, o progresso chegou a estas localidades e, consequentemente, esses imóveis foram valorizados acima da inflação — lembrou.
Para o procurador, devido a isso é possível encontrar condomínios fechados pagando o valor do IPTU menor do que o de conjuntos habitacionais mais humildes e afastados do Centro.
Prejuízo milionário
Márcio explicou ainda que a Prefeitura faz, anualmente, a atualização da planta pelo índice inflacional. Entretanto, isso não é suficiente, já que a valorização dos imóveis é maior do que no nível da inflação.
— As distorções são provocadas por isso. O projeto para correção foi enviado duas vezes para a Câmara e a segunda versão dele ainda está lá. A cada vez que o projeto não é aprovado, o Município perde receita de R$ 30 milhões — alertou.
Leia também
Vencedora de licitação envia novos veículos para Prefeitura de Divinópolis
Prefeitura de Divinópolis cadastra profissionais da construção civil
UPA em Divinópolis tem dobro de pacientes de sua capacidade máxima
Prefeitura modificará decreto para aplicativos de transportes
Prefeitura quer economia de R$ 8 mi com UPA
Oitivas só voltam em agosto
Mais recentes
Moraes bate boca com Mendonça durante sessão do STF; ministro alega que trará testemunhas para sua defesa
Moraes nega atuação no caso Master e chama acusações de ‘fantasiosos’ e ‘criminosas mentiras’
Eleições 2026: entenda o que fazem deputados estaduais e federais e conheça os candidatos da região
Mendonça retira sigilo de processo sobre rede de pagamentos de Vorcaro
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em julho de 2019
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…




