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Política

País dividido

País dividido

Não é sobre ser a favor ou contra. Nem sobre direita ou esquerda. É sobre o fato. Um raio atingiu manifestantes reunidos na Praça do Cruzeiro, em Brasília, durante um ato político, no início da tarde de domingo. Chovia forte, o local era aberto e o risco era evidente. Dezenas de pessoas ficaram feridas, ao menos 11 foram encaminhadas ao Hospital Regional da Asa Norte. Não houve mortes.

O ato, organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), reuniu cerca de 18 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político. Para uns, a manifestação simbolizava mobilização e reorganização política com foco em 2026. Já para outros, foi um evento sem efeito prático, distante dos problemas reais do país. As leituras são distintas e fazem parte do jogo democrático.

O episódio do raio, no entanto, desloca o debate. Manter uma multidão em espaço aberto durante uma tempestade expõe falhas de cuidado e de gestão do risco. Ao mesmo tempo, a reação de quem ironizou ou comemorou feridos revela o quanto a polarização corroeu a empatia básica.

O raio não escolheu lado. Atingiu pessoas. E, enquanto o país insiste em se dividir em narrativas, a realidade segue cobrando atenção, responsabilidade e um mínimo de cuidado coletivo.

O relógio não para

E enquanto uns ainda discutem o significado de atos e símbolos, o tempo corre. 2026 já está logo ali. A corrida eleitoral em Minas Gerais acontece muito antes da largada oficial, e os bastidores estão em ebulição.

Aliados do senador Rodrigo Pacheco articulam uma possível mudança no tabuleiro político: a saída da federação União Brasil–PP da órbita do vice-governador Mateus Simões. A estratégia passa por alterar o comando do União Brasil em Minas, abrindo caminho para uma eventual candidatura de Pacheco ao Palácio Tiradentes — ou até para outro nome.

Rodrigo de Castro surge como peça-chave nesse movimento. Do outro lado, Mateus Simões tenta mostrar solidez, reunindo lideranças e reafirmando alianças. Marcelo Aro aparece como possível nome ao Senado, independentemente de quem lidere a chapa. E, como plano alternativo, Cleitinho Azevedo entra no radar.

Nada está definido. Tudo está sendo testado. Minas parece viver mais um daqueles momentos em que as decisões demoram, mas o impacto delas será imediato.

Mais um capítulo

Se na política o tempo corre, na Justiça ele se arrasta. A Polícia Federal começou a ouvir, nesta segunda-feira, oito pessoas ligadas ao caso do Banco Master. Os depoimentos acontecem no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, e seguem sob sigilo.

A investigação apura suspeitas graves: organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado, uso de informação privilegiada e lavagem de dinheiro. Um enredo complexo, cifras bilionárias, ativos sem lastro e uma possível maquiagem financeira que pode chegar a R$ 12 bilhões.

O caso já virou uma novela. Decisões que desagradam investigadores, mudanças de rumo no processo, pressões políticas, relações pessoais colocadas sob escrutínio. Enquanto isso, investidores foram socorridos pelo Fundo Garantidor de Crédito, o Banco Central liquidou o Master, e a sensação é de que a história ainda está longe do último capítulo.

A cada nova fase, fica a impressão de que o sistema funciona, mas em câmera lenta. E quando isso acontece, a confiança pública também se desgasta.

Sete anos depois

E há histórias em que o tempo não apenas passa. Ele dói. Neste domingo, completaram-se sete anos do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho. Sete anos de espera. Sete anos de perguntas sem respostas. Sete anos em que 270 vidas seguem sendo lembradas.

As buscas terminaram. Duas vítimas seguem desaparecidas. Famílias continuam sem um ponto final para o luto. O desastre, que já era anunciado, aconteceu mesmo assim. Antes dele, Mariana. Antes dele, alertas. Depois dele, promessas. 

Brumadinho não pode ser apenas uma data no calendário ou um discurso repetido a cada janeiro. Lembrar é cobrar. Cobrar é não permitir que o tempo transforme tragédias em estatística. No Brasil, o tempo passa. A pergunta é quem paga por isso.

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