Prefeitura de Divinópolis faz cama de pedra para afastar moradores de rua

Da Redação
Basta andar pelas ruas de Divinópolis para dar de cara com dezenas de pessoas em situação de rua, perambulando, pedido ajuda, deitados nas calçadas, debaixo de marquises ou até mesmo dormindo a céu aberto. Situação agravante para uma cidade com 234.937 mil habitantes, segundo o último sendo do IBGE. A Prefeitura tenta ajudar com os projetos sociais, mas segundo a assessoria de comunicação, a população não ajuda e contribuiu para que as pessoas continuem nas ruas sem nenhuma estrutura.
Ontem, uma obra inusitada feita no ginásio poliesportivo Fábio Botelho Notini, na avenida Getúlio Vargas chamou a atenção de moradores próximos e quem passava pelo local. Segundo pessoas que preferiram não se identificar, parte da área externa do complexo esportivo que servia como “cama” para moradores de rua se transformou em uma armadilha, certamente para que não seja mais abrigo para pessoas sem teto durante a noite. A “cama de gato” fica em frente à casa do vice-prefeito, Rinaldo Valério (PV) e a cerca de 100 metros do condomínio, onde mora o prefeito Galileu Machado (PMDB).
Prefeitura
A assessoria de comunicação da Prefeitura informou que disponibiliza um abrigo para estas pessoas passarem a noite com alimentação, além de passagem para que possam voltar para casa. Porém, segundo a assessoria, a maioria não aceita, por isso, não pode tirar essas pessoas à força das ruas. Sobre as pedras, afirmou que a Secretaria de Esportes está fazendo melhorias no complexo esportivo, revitalizando. Revela que já foram realizadas trocas de lâmpadas e outras ações internas, além de revigorar a parte externa, com o objetivo de deixar o local mais atraente. Nega que a melhoria feita em frente ao ginásio seja uma armadilha para as pessoas em situação de rua.
Histórias
Natural de Três Marias, região Central de Minas, Alberto e José Antônio de Paula, 59 anos, há três anos pelas ruas divinopolitanas e não pretende ir embora. Ele é mais um que perdeu a casa e a família por causa do alcoolismo. Pelos relatos, a vida que há seis anos deixou para trás tinha a esposa; três filhos, de 23, 25 e 27 anos; tinha também a profissão: motorista de ônibus.
— Vivi 30 anos com uma mulher só. Perdi ela para a bebida. As pessoas têm mania de criticar outros tipos de drogas, como maconha, cocaína, crack, mas se esquecem que álcool compra no mercado, custa R$ 2,50 e vicia do mesmo jeito — revela.
Ele carrega uma bolsa com os pertences pessoais. Tem um chinelo de dedo no pé e uma roupa no corpo. Tem também uma garrafa de cachaça e uma sacola na qual acumula as latinhas que acha pelo caminho: a bebida e o trabalho são atividades que realiza em parceria com um amigo que o acompanha. Juntos, bebem até 2,5 litros da bebida por dia.
Já José Antônio foi criado em Pará de Minas, mas veio para a cidade morar com a irmã.
— Depois de residir 10 anos nas ruas de São Paulo, fui para a casa da minha tia em Pará de Minas. Quando ela morreu me mudei para Divinópolis para morar com a minha irmã. Ela que tratava de mim, me dava cachaça, cigarro, pagava o aluguel e fazia as despesas da casa. Mas, ela morreu, então tive que voltar para a rua — recorda.
Para ele, a rua é como uma casa, nela fez amigos, dorme, trabalha e se alimenta.
— Tô velho, ficar na rua e sair dela, dá na mesma. Eu gosto — sintetiza.
Leia também
Galileu verifica obras na rua José da Paz
Ministério Público recomenda associação a orientar sobre manejo de animais
Servidora que usou cargo para obter vantagem pode perder emprego e devolver dinheiro em Divinópolis
Indícios de nepotismo em Divinópolis estão na mira do MP
Prefeitura de Divinópolis atualiza ações para casos de enchente
Com análise de pedido de CPI da UPA, começa reunião da Câmara de Divinópolis; assista ao vivo
Mais recentes
Campanha de Lula protocola autorização para abertura de sigilos bancários no TSE
Flávio Bolsonaro tem 51% dos votos válidos contra 49% de Lula, aponta pesquisa
Urnas eletrônicas são auditadas antes do segundo turno; entenda como funciona
Flávio Bolsonaro tem 51,1% dos votos válidos contra 48,9% de Lula, aponta pesquisa
Do nosso arquivo
Câmara afirma que vereador nomeou sogra em gabinete e exonera servidora
Bolsonaro diz que “nunca abriu um pen drive” e questionará se ele é de Michelle
MPF investiga obras paradas há mais de uma década em Divinópolis
Assembleias para adesão ao modelo cívico-militar em escolas de MG serão retomadas em agosto
Veja tudo o que publicamos em novembro de 2017
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
