Prefeitura e TransOeste discutem falhas nos elevadores e manutenção da frota

Da Redação
A reunião realizada na Prefeitura de Divinópolis, na manhã desta quinta-feira, 2, reuniu representantes da administração municipal e do Consórcio TransOeste para discutir a situação do transporte coletivo urbano no município. Entre os temas abordados estiveram o cumprimento do contrato vigente, as condições da frota, os horários das linhas e, principalmente, o funcionamento dos elevadores de acessibilidade dos ônibus, assunto que ganhou destaque após o caso envolvendo a cadeirante Maria Cristiana da Silva, que no último fim de semana precisou se arrastar para desembarcar de um coletivo devido à falha no equipamento.
O encontro marcou o início de uma série de reuniões mensais promovidas pela Prefeitura, com o objetivo de acompanhar e fiscalizar a prestação do serviço de transporte coletivo. A iniciativa também contou com a participação de Maria Cristiana, convidada para relatar as dificuldades enfrentadas como usuária do sistema.
Relato da usuária
O Agora conversou com a Maria Cristiana logo após a reunião. Segundo ela, expôs aos representantes do consórcio todas as situações que já havia denunciado anteriormente. De acordo com Maria, ela foi informada de que os ônibus mais antigos são os que apresentam maior incidência de problemas e que a orientação repassada aos motoristas é não transportar cadeirantes quando o elevador estiver com defeito, aguardando a chegada do próximo veículo.
Ao comentar a resposta recebida, Maria Cristiana questionou quanto tempo uma pessoa com deficiência deve esperar pelo próximo ônibus e destacou as dificuldades enfrentadas no dia a dia.
— Eu perguntei para ele, até quando eu vou ter que esperar o próximo ônibus? Eu tenho uma criança de 10 anos. Para quem tem carro é fácil falar 'espera o próximo'. Eu não vou esperar o próximo mais, e se eles não resolver, eu não vou calar — afirmou.
Ela afirmou ainda que nenhum compromisso específico foi assumido pelo consórcio durante a reunião. Segundo a usuária, foi apenas informado que existem quatro ônibus novos com elevadores em melhores condições, mas ela disse não se lembrar de ter utilizado esses veículos.
— Ele não prometeu nada. Eu só espero, a única coisa que eu quero é que resolva — destacou.
Maria Cristiana também declarou que continuará registrando os problemas caso eles persistam.
— Eu não vou silenciar, vou continuar gravando, até eles tomarem uma decisão — concluiu.
Ela acrescentou que tanto a prefeita quanto representantes do consórcio afirmaram que as providências não poderão ser adotadas de forma imediata, mas que há a intenção de buscar uma solução.
Fiscalizações
Durante a reunião, a Secretaria Municipal de Trânsito, Segurança Pública e Mobilidade Urbana (Settrans) apresentou números referentes à fiscalização do transporte coletivo. De acordo com os dados divulgados, nos últimos três meses foram realizadas 239 fiscalizações nos veículos da frota. Destas, 48 identificaram algum tipo de problema.
Segundo as informações apresentadas, apenas três ocorrências envolveram falhas nos elevadores de acessibilidade, situação semelhante à registrada com Maria Cristiana no último fim de semana.
Compromissos apresentados
Ao final da reunião, o secretário municipal de Trânsito, Lucas Estevam, afirmou que o Consórcio TransOeste assumiu o compromisso de revisar os veículos que apresentam maior incidência de problemas nos elevadores.
— O consórcio comprometeu a revisar principalmente esses carros, que estão com maiores incidências, e resolver o problema. Trouxeram uma empresa especialista, está na garagem, para poder reformar os elevadores — afirmou.
Segundo o secretário, toda a frota do transporte coletivo de Divinópolis possui equipamentos de acessibilidade.
Lucas Estevam explicou que alguns veículos registram mais ocorrências em razão das condições de uso, como pavimentação, poeira e frequência de utilização. Ele afirmou que a fiscalização municipal acompanha esses casos e encaminha ao consórcio os veículos com maior número de registros para manutenção.
Além da situação dos elevadores, o secretário informou que a reunião também abordou o quadro de horários e linhas com baixa demanda de passageiros.
Segundo ele, foram apresentados relatórios sobre linhas que transportam poucos usuários, inclusive algumas da zona rural, para que as reuniões mensais permitam discutir alternativas de solução.
Questionado sobre o contrato vigente, Lucas Estevam esclareceu que o encontro teve como foco apenas o cumprimento das cláusulas atualmente em vigor.
— A gente só falou quais são os cumprimentos do contrato. Ele tem a vigência até setembro de 2027. Agora essas reuniões são somente o cumprimento do contrato — concluiu.
Posição do consórcio
O advogado do Consórcio TransOeste, Glauco Ribeiro, afirmou que a reunião teve como objetivo discutir medidas que possam melhorar a prestação do serviço e aproximar o município e a concessionária na busca por soluções.
Segundo ele, o diálogo facilita a resolução dos problemas e permite discutir questões relacionadas ao funcionamento do sistema.
Sobre os elevadores, Glauco Ribeiro afirmou que Divinópolis já teve uma das frotas mais novas do país, mas que a renovação foi dificultada ao longo dos anos.
— Com o tempo e diante do não reajuste das tarifas, a frota foi dificultando a sua renovação — afirmou.
O advogado informou que uma empresa responsável pela fabricação e manutenção das plataformas elevatórias já está atuando na garagem do consórcio para realizar uma revisão nos equipamentos.
— A empresa que fabrica essas plataformas está dando uma geral em todos os elevadores — destacou.
Ele também afirmou que os equipamentos são elétricos e eletrônicos e que fatores como poeira e as condições das vias podem interferir no funcionamento durante a operação.
Segundo Ribeiro, os elevadores deixam a garagem em condições de funcionamento, mas podem apresentar dificuldades ao longo do percurso, especialmente em trechos com estrada de terra. Nesses casos, conforme explicou, o veículo é substituído e encaminhado para manutenção.
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