Protesto na posse

Nem tudo foi flores na cerimônia na transferência do cargo de governador de Romeu Zema (Novo) para Mateus Simões (PSD), na manhã deste domingo em Belo Horizonte. Servidores públicos protestaram contra a atual gestão do Estado, do lado de fora da Assembleia Legislativa (ALMG), no mesmo momento em que dentro do Palácio da Inconfidência, Simões assinava o termo de posse como titular da principal cadeira do Executivo de Minas. Participantes do ato usaram cartazes com críticas aos dois. A maior parte pertencia a sindicatos da área da saúde, educação e do meio ambiente. A principal reivindicação das categorias é por uma recomposição salarial que atenda às perdas com a inflação em anos em que não foi concedido nada de reajuste. A educação, por exemplo, que todos os anos faz greve, como agora, pede 41,8% de correção. Valor parecido ao reivindicado pela segurança pública, que pelo visto já se cansou de mendigar uma promessa feita há quase 8 anos, no primeiro mandato de Zema. O que certamente não será diferente neste restante de ano sob o comando do seu ex-vice.
Pé de guerra
É que vem ocorrendo entre o governo e servidores desde quando a promessa da recomposição não foi cumprida. Na tentativa de amenizar a situação, e em ano de eleições, uma das últimas ações de Zema no cargo, no início deste mês, foi o envio de um projeto de lei (PL) à Assembleia propondo uma recomposição salarial de 5,4% ao funcionalismo público do estado. Valor que não agradou nada, nenhuma das categorias. A manifestação dos servidores durante a solenidade de domingo, foi justamente para lembrar a Mateus Simões da insatisfação e que ele cumpra o que está no PL. Ao contrário, também deve ter problemas. Zema, por sua vez, se concentra a partir de agora em sua pré-candidatura à Presidência da República. Pelo menos, por enquanto.
Ausências esperadas
As ausências e presenças nas duas cerimônias que marcaram a passagem do comando do Estado mostraram bem o que vem por aí no processo eleitoral que já está a todo vapor. Os que prestigiaram os atos foram quase que exclusivos, os aliados entre os parlamentares e lideranças partidárias, como o presidente do PL em Minas, Domingos Sávio, e o do PSD nacional, Gilberto Kassab. E ausências já esperadas como a do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), do deputado Nikolas Ferreira (PL), que apesar de ter estado ao lado de Simões em agendas- pura estratégia, além de possíveis adversários nas eleições de outubro. Exemplo? A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), o de Betim Heron Guimarães (União Brasil), e claro, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Pelo menos em parte, parece ter ficado claro, quem vai caminhar com quem a partir de agora.
Lohanna e mais um
Como não poderia ser diferente, a base governista na Assembleia compareceu em massa aos eventos de posse. Da oposição na Casa, apenas os corajosos Lohanna França (PV) e Betinho Pinto Coelho do mesmo partido. Mesma atitude que não teve o presidente da Associação Mineira de Municípios e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos). Principalmente depois que teve um desentendimento com Simões no início do ano, Falcão vem criticando algumas ações do governo, como a privatização da Copasa. Além do mais, depois do convite de Cleitinho para ser seu vice, já caminha do outro lado.
Nenhum dos dois
E por falar no senador divinopolitano, ele que já foi um importante aliado do Zema, também não "deu o ar da graça". O mesmo fez seu irmão, o prefeito Gleidson Azevedo (Novo), correligionário de Zema. As razões não são diferentes das de Falcão, possivelmente, estarão de lados opostos na disputa de outubro.
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