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Política

Residencial no Alto São Vicente encerra mais de década de angústia 

Residencial no Alto São Vicente encerra mais de década de angústia 

Matheus Augusto

Mais de 14 anos de espera terminaram no sábado, 19. A rua Inhazinha Epifânio, nº 951, no bairro São Sebastião, agora conta com 24 novas famílias — já conhecidas na região, apesar do novo endereço. A Prefeitura de Divinópolis entregou as chaves do Residencial São Vicente aos moradores retirados de suas casas em 2010 devido ao risco de desabamento. Desde então, o Município custeava o aluguel social. Agora, os moradores voltam a ter uma casa para chamar de sua. 

Um deles é Airton Barbosa. 

— Deu um chuvão danado e desabou tudo — contou ao Agora.

A casa era do seu filho. Airton havia construído uma residência ao lado, que também sofreu danos estruturais. 

— Tinham 11 pessoas lá dentro, e ninguém se feriu, Graças a Deus — frisou. 

Ele aproveitou a oportunidade para agradecer os esforços da atual Administração para dar fim à angústia de anos. 

— O sentimento é de gratidão, de vitória. Há muitos anos, essa situação vem caminhando, com muitos percalços e entraves. As pessoas, por último agora, pegaram o barco capotando, colocou no rumo e levou para o norte. 

Década de diálogo

Um dos principais articuladores da obra é Domingos Sávio (PL-MG). O deputado federal participou de uma série de reuniões em Brasília para conseguir a liberação do recurso. No caminho, muitos percalços. 

— É um sonho se transformando em realidade, e um sonho que teve muitos episódios de pesadelo. (...) Era necessário dar aos moradores um local para viver, e elas queriam morar aqui, pois aqui está a história de suas famílias — afirmou. 

O parlamentar aponta para quase uma década de diálogo para tirar o projeto do papel. 

— Com o tempo, essa situação foi ficando desesperadora. Essas pessoas dependendo da Prefeitura pagar um aluguel para elas é constrangedor, de dificuldade — destacou. 

Segundo ele, o recurso foi assegurado durante o governo do ex-prefeito Vladimir Azevedo. No entanto, devido às regras da época, o dinheiro estava vinculado à reforma das casas para mais segurança. 

— Algumas casas já tinham caído, não existiam mais, eram em locais inadequados, que não dava para construir novamente — pontuou. 

O temor era, inclusive, de perder o recurso. Para evitar o cenário pessimista, Sávio relembra a necessidade de propor mudanças ao Ministério das Cidades, com publicações de novas Portarias sobre o tema. 

— Isso é fruto de muita luta e, agora, é a época de colher — conclui. 

‘Dignidade’

A vice-prefeita Janete Aparecida (Avante) conhece o problema de perto por ser moradora da região. Conforme relembra, a história começou quando um deslizamento de terra atingiu uma casa. 

Lá em 2007 ainda, o governo Demetrius comprometeu-se a entrar no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ligado ao Projetos Prioritários de Investimentos (PPI) para intervenções em favelas. No ano e governo seguinte, apesar das cobranças, a situação não avançou. 

— Em 2010, teve um outro grande desabamento, com diversas casas em risco muito sério — contou. 

Para Janete, a construção simboliza dignidade. 

— São quase R$ 4 milhões em investimento para poder devolver à moradia digna aos moradores — destaca. 

Em seu discurso aos presentes, Janete ressaltou que não trata-se de “doação de moradia”, mas uma permuta. O Município recebe a área dos antigos imóveis, com risco de desabamento, enquanto os moradores recebem os apartamentos, com salão, estacionamento e parquinho. Eles serão acompanhados pela Assistência Social durante seis meses. 

Em breve

Para o prefeito Gleidson Azevedo (Novo), a entrega é uma das “obras mais importantes de seu mandato”. 

— Moradia é dignidade — definiu. 

Em sua avaliação, o residencial garante aos moradores uma casa digna e segura, onde não vão precisar conviver com os riscos de deslizamento e desabamento. 

— Há dois meses atrás, a gente viveu a questão do Rio Grande do Sul e vimos o sofrimento daquele povo, tendo que sair de suas casas e abandonar toda sua história. Eu acredito que o povo do São Vicente viveu isso há 14 anos atrás — cita.  

Ainda segundo o prefeito, a expectativa é abrir, em agosto, as inscrições para as novas casas a serem construídas através do programa federal “Minha Casa, Minha Vida”. Conforme divulgado no ano passado, Divinópolis foi contemplada pelo Ministério das Cidade com mais 462 unidades habitacionais. A entrega deve acontecer até 2026.

Transição

A secretária de Assistência Social (Semas), Juliana Social, classificou a entrega dos apartamentos como “justiça social”. A transição para os imóveis será feita gradativamente, com duas famílias se mudando por dia. O processo deve ter início nas próximas duas semanas.  A expectativa é ter todos os moradores já estabelecidos no local ainda em julho. 

Novas melhorias

a caminho

A atual administração, após visitas a Brasília, também obteve a assinatura do governo federal para utilizar R$ 2 milhões em melhorias. O valor é resultado dos juros acumulados ao longo dos anos até a liberação da obra. Com ele, a Prefeitura reconstruirá vestiário do campo do ‘Salgadão’ (área agora ocupada pelo estacionamento do residencial) e iluminação. Outro investimento será na pavimentação da ligação da área ao Centro Técnico Pedagógico (Cetepe) e a instalação de energia fotovoltaica nos apartamentos. 

O projeto, segundo a vice-prefeita, já encontra-se na Caixa Econômica Federal (CEF) e, uma vez liberado, o Executivo iniciará a licitação. 

Estrutura

A construção contempla dois blocos, com 12 apartamentos cada, com base nas dimensões do “Minha Casa, Minha Vida”. Cada imóvel tem dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Segundo a Prefeitura, eram gastos, mensalmente, R$ 15 mil com o pagamento dos aluguéis das famílias.

(Foto: Matheus Augusto/JA)

Do novo residencial, é possível ver a encosta onde há o risco de deslizamento

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