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Preto no Branco

Agora vai? - Preto no Branco

Por Gisele Souto · Redação· 3 min de leitura
Agora vai? - Preto no Branco

Quem acompanha e conhece a política e seus interesses, certamente, sabe o porquê o senador Rodrigo Pacheco preferiu não disputar nenhum cargo, mesmo descartado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Óbvio que já tinha algo em mente. E não deu outra. O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, oficializou, nesta segunda-feira, 31, a saída do órgão. O pedido de renúncia ocorre após 12 anos na Corte, o que abre caminho para uma possível indicação de Pacheco (PSB) para ocupar a vaga. No comunicado, Dantas explica que deixa o serviço público para se dedicar a "novos projetos". A vacância do cargo é válida a partir de 9 de setembro. A cadeira ocupada por Dantas é destinada a uma indicação do Senado. Partindo deste ponto, o nome do senador surge como “favoritíssimo”.


Surpresa

O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, pode ser considerado a grande surpresa deste momento nas campanhas eleitorais neste momento. Ele vivencia um crescimento nas pesquisas de intenção de voto rumo à principal cadeira do Executivo do país. Conforme os últimos levantamentos divulgados pelo AtlasIntel/Bloomberg e pelo Nexus/BTG, o psiquiatra saltou 6,2 e 9 pontos percentuais, respectivamente, em agosto, quando comparado a julho. Em levantamento do instituto AtlasIntel realizado entre 25 e 30 também deste mês, Cury aparece com 7,8%, atrás apenas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e à frente de seus adversários da “terceira via”, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Já na pesquisa Nexus/BTG feita entre 28 e 30 também de agosto, o psiquiatra também aparece na terceira posição, mas com 11% das intenções de voto. O número representa um crescimento de 9 pontos percentuais em relação aos 2% registrados no levantamento divulgado na semana anterior. Para especialistas, Cury, mesmo não tendo saído bem nas sabatinas, se apresenta como nome e propostas diferentes, e pode ser considerado a surpresa entre os mais bem colocados nas pesquisas.


De volta ao jogo

A volta de Aécio Neves (PSDB) à disputa pelo Senado muda uma equação que já parecia suficientemente complicada. Depois de anunciar que não disputaria nenhum cargo em 2026, o tucano voltou atrás e confirmou sua candidatura ao Senado por Minas Gerais. A decisão veio após a desistência de Marcelo Heringer e Gustavo Galassi e diante da pressão de aliados. Sua entrada, portanto, tem potencial para mexer principalmente no eleitorado de centro e de direita, justamente onde já existe uma disputa bastante pulverizada. O problema para o campo da direita é que não faltam nomes competitivos. Carlos Viana, Marcelo Aro, Domingos Sávio, Marco Antônio Superman e, agora, Aécio Neves ocupam espaços que, em maior ou menor medida, conversam com o eleitorado conservador, liberal ou de centro-direita. A entrada do tucano pode tornar essa fotografia ainda mais dinâmica. Fica a curiosidade para saber o resultado da próxima pesquisa eleitoral.


Limite da política digital

A decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de suspender cautelarmente a campanha presidencial de Renan Santos (Missão) acrescenta outro elemento importante à eleição de 2026: o crescente peso das regras sobre o uso político das redes sociais. A decisão foi tomada após o ministro apontar indícios de irregularidades relacionados à declaração tardia de perfis utilizados pela campanha. Segundo as informações divulgadas, 16 páginas não teriam sido informadas inicialmente ao TSE, incluindo uma conta com cerca de 2,4 milhões de seguidores. Para Toffoli, a situação poderia ter criado uma vantagem indevida no funcionamento dos algoritmos das plataformas. Em uma eleição cada vez mais dependente das redes sociais, não se trata apenas de uma questão burocrática sobre o registro de perfis. Isso é fato. Pois pode representar uma vantagem eleitoral concreta.


Fiscalização

Dentro deste entendimento da Justiça Eleitoral, a forma como determinado candidato consegue distribuir seu conteúdo, alcançar pessoas que ainda não o seguem e ampliar organicamente sua audiência significa um certo benefício em relação aos seus adversários.  Por isso, a Justiça Eleitoral passou a tratar a declaração dos canais digitais como parte da própria estrutura de fiscalização da campanha. A decisão reforça um tema de crescente debate nos últimos anos: “internet não é terra sem lei”.


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