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Preto no Branco

Pode decidir 

Por Gisele Souto · Redação· 3 min de leitura
Pode decidir 

Não poderia ser diferente. A eleição para o governo de Minas no segundo mais importante Estado do país, caminha para o segundo turno. Se já era esperado, os números das últimas pesquisas, em que Cleitinho Azevedo (Republicanos) segue liderando, confirmam isso. A vantagem em relação ao segundo colocado segue grande, mas não é suficiente para levar no primeiro turno. O senador teve sua vantagem reduzida nos três últimos levantamentos - dentro da margem de erro - enquanto outros em desvantagem no ranking pontuaram ou subiram, um, dois pontos. Além do mais, a quantidade de indecisos - pode definir, e pessoas que declararam que vão votar em branco,  ainda é muito grande. O que isso significa? Que não tem nada decidido.

Sem maioria 

A pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira, 25, mostra Cleitinho com 29%, liderando todos os cenários de segundo turno - 48% a 27% contra Alexandre Kalil (PDT), 51% a 26% contra Patrus Ananias (PT) e 49% a 17% contra Mateus Simões (PSD), atual governador. Como nenhum candidato passa da metade dos votos válidos, a legislação eleitoral manda pro segundo turno. Quando se simula cenários sem Cleitinho, Kalil e Patrus surgem como os mais competitivos e ficam em empate técnico, o que pode abrir chance pro PT ir ao segundo turno, até porque Patrus demorou a entrar no processo e isso pode lhe render mais alguns adeptos. A situação mais preocupante é a de Simões, que aparece com o pior desempenho nos cenários testados. O resultado quer dizer que se ele não buscar ampliar base no interior e selar apoios de partidos de centro, não precisa nem tentar virar o jogo na reta final. 

Não existe?

Pois é. Parece brincadeira, mas a declaração do candidato ao Senado por Minas Gerais pelo Novo, Marco Antônio Costa, conhecido como "Superman", é que "não existe feminicídio". E foi além. Criticou propostas que ampliam a criminalização de discursos considerados misóginos ou de ódio. Essa é a opinião de um advogado, professor de direito constitucional e comentarista político, que  mudou-se de São Paulo para Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no ano passado, exatamente para construir a candidatura ao Senado mineiro. Sua fala bastante questionada ocorreu durante sabatina com alunos e professores na Faculdade de Direito Milton Campos, dentro da "Semana Eleitoral: Diálogo, Democracia e Futuro", promovida pelo Diretório Acadêmico da instituição. Se saiu de SP para entrar em uma disputa em Minas, certamente, não teria espaço por lá, onde todos devem repudiar seu posicionamento. 

Plano e dados

No Brasil o feminicídio existe como qualificadora legal desde 2015, com pena maior que homicídio simples. Está no art. 121-A do Código Penal. É definido como homicídio cometido por razão da condição do sexo feminino, envolvendo violência doméstica, menosprezo ou discriminação à mulher. Os dados oficiais também registram a tipificação. O Anuário de Segurança Pública e o DataSUS contabilizam mais de 1.300 casos por ano no país. Negar a existência do termo, juridicamente, vai contra a legislação vigente e contra a classificação usada pelas polícias e Ministério Público. O argumento que alguns "machões por excelência" usam quando falam isso é outro: de que já existe o crime de homicídio e que criar uma qualificadora específica seria, na visão deles, uma diferenciação ideológica e não técnica. Na verdade, já existindo, os números não param de subir, imagine se permanecesse no crime comum, como anteriormente? Isso, é ele, e outros do mesmo "naipe" precisam explicar. 

Voto majoritário 

Em debates, essa frase tem custo e benefício claro e certeiro: Afasta eleitorado feminino, movimentos de mulheres e setores moderados. Vira munição para adversários, pode gerar representação na Justiça Eleitoral por discurso discriminatório e pressão de entidades. Em Minas, onde o voto feminino é majoritário, o desgaste é ainda maior. Benefício buscado: Alguns candidatos usam a frase para sinalizar posição contra o que chamam de "pautas identitárias", tentando consolidar base conservadora que vê a criação de leis específicas como exagero. Neste caso, "o Superman" precisa explicar: ele está negando o dado e a lei, ou defendendo que a norma não deveria existir? São duas coisas bem diferentes. Talvez, seria melhor, a mulherada responder.


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