Frente a frente

Não é a música sertaneja interpretada por Matogrosso & Mathias, grande sucesso que quase todo mundo sabe cantar. E sim, a forma como ficaram o ministro Alexandre de Moraes e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira, 9, dia que marcou o início da fase de interrogatórios do processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A audiência aconteceu de forma presencial, à tarde, na sala da Primeira Turma da Corte, em Brasília. Além de Bolsonaro, outros sete réus também prestam depoimento ao longo da semana. Todos precisam permanecer na sala durante a audiência, com exceção do general Walter Braga Netto, por estar preso, que será ouvido por videoconferência. Além de todo o contexto da questão, a expectativa maior, mesmo por parte de quem não está de lado nenhum, era o encontro tete-à-tete, dos considerados "inimigos", fato declarado publicamente.
Dinâmica
O primeiro a ser ouvido foi Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator do caso. Bolsonaro e outros réus se sentaram em mesas organizadas em fila, atrás da principal onde ficam Moraes e os demais ministros da Primeira Turma: Flávio Dino, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Luiz Fux. À frente do ministro, uma mesa para o réu que estiver prestando depoimento, sempre acompanhado de seu advogado. Rito que se repetirá durante a semana com previsão de encerramento na sexta, 13. O ex- presidente e os demais réus respondem por crimes como associação criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, incitação ao golpe militar e uso da máquina pública para disseminar falsas alegações de fraude eleitoral. A expectativa é que, após os depoimentos, o ministro elabore um relatório, e vote sobre o caso, que pode ser julgado entre setembro e outubro. Uma coisa é certa: não deve ser fácil para nenhum dos lados. Ficar em casa assistindo, dando opiniões e sugestões, é fácil. Mas, tente se colocar no lugar de qualquer um que ali esteja.
Mais uma
O governador Romeu Zema (Novo), mesmo demonstrando o desejo de se candidatar nas eleições do ano que vem para um cargo nacional, parece não se cansar de apanhar. Depois daquele fala lamentável sob a ditadura militar, sancionou uma lei que ampliou o custo de taxas cartoriais em mais de 200% no estado. Claro que os deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que aprovaram o projeto, tem sua parcela de culpa, boa parte da base, é claro. Mas, sobrou pra quem tomar porretadas? Uma delas, veio do senador divinopolitano Cleitinho Azevedo (Republicanos). É preciso ressaltar que o texto foi encaminhado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O que é ainda mais questionável e muitos perguntam: por que o Legislativo e Executivo, em especial em nível de Minas, sempre dizem "amém" para a justiça? Prova disso, são os reajustes salariais em todos os anos, incluindo 2025, que são concedidos conforme o TJMG bem quer. Enquanto os profissionais da segurança pública ficam humilhando, e olha que nem é por aumento, por recomposição garantida em lei. E até hoje, só ficou na promessa. Se alguém souber responder…
Reversão
Durante suas críticas, Cleitinho disse que encaminhou dois ofícios, um para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e outro ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), para tentar reverter a nova legislação. Para o parlamentar é desproporcional, e "o que fizeram com o povo mineiro é um roubo legalizado”. Certíssimo. Se queriam aumentar, que pelo menos fosse um valor justo, visto que a bomba só cai no colo do povo que já paga salários exorbitantes aos servidores da Justiça. A iniciativa de Cleitinho é louvável, agora, se terá sucesso, é muito pouco provável. Até porque neste meio, boa parte é igual na política, um protege o outro.
Vítimas de violência
Com o objetivo de abordar dois temas: atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência e reflexões sobre autoestima, a Procuradoria da Mulher da ALMG, realiza nesta terça-feira, 10, o 2º encontro. Vão ser disseminadas informações sobre políticas públicas, ações e programas voltados para a equidade de gênero e o combate a todas as formas de violência contra a mulher. A atividade foi solicitada pela procuradora-geral, deputada Ione Pinheiro (União). A Assembleia criou a Procuradoria da Mulher em 2021 por meio da Resolução 5.590, que também instituiu a Bancada Feminina da ALMG. A ideia é fortalecer a rede de proteção, trazer visibilidade e qualificar o debate em torno das pautas ligadas às mulheres. Desde então é o que vem fazendo, promovendo a discussão com participação de autoridades no assunto, e orientando os interessados. O encontro de hoje é outra excelente oportunidade para isso.
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