Munição de campanha

As denúncias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, sua esposa e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, cai com uma bomba no andamento das campanhas eleitorais, em especial para Presidência da República. Assim, já faz parte dos discursos dos presidenciáveis. Flávio Bolsonaro (PL), por exemplo, pediu renúncia do ministro, enquanto Romeu Zema (Novo) voltou a falar em impeachment e a oposição protocolou pedidos no Senado. E por aí vai. A avaliação de analistas é que, independentemente do desfecho jurídico, o caso vira argumento eleitoral sobre imparcialidade do Supremo Tribunal Federal (STF), justamente por Moraes ter tido papel central nos processos do 8 de janeiro. Não há dúvidas.
Risco institucional
Do outro lado, o governo cobra investigação ampla de todos os citados, incluindo o próprio Flávio Bolsonaro que aparece nas mensagens, e a PGR arquivou pedidos iniciais dizendo que as representações se baseavam em matérias jornalísticas sem confirmação probatória autônoma. Para as eleições, o reflexo é duplo: se o STF abre apuração transparente, pode recuperar credibilidade; se a crise se arrasta com CPI, quebra de sigilo e embate entre PGR e Supremo, aumenta a desconfiança geral no sistema eleitoral e alimenta discurso de que a Justiça interfere no jogo político. E não faz sentido?
'Panos quentes'
Em busca de diminuir os estragos, aliados tanto de Flávio, quanto do ex-presidente Lula (PT), que lideram as pesquisas de intenções de voto, tentam calibrar suas reações às menções a Moraes. O cenário ocorre em Brasília e ganha destaque no período de plena campanha pelo país para escolha de novos representantes do povo em outubro. As revelações envolvendo o ministro e Vorcaro foram rapidamente incorporadas ao discurso da oposição. Para os aliados de Flávio, o episódio oferece combustível para ampliar críticas ao magistrado e a outros integrantes da Corte. O que já vinha sendo feito por esta ala. Agora, com muito mais munição, é claro.
'Doa a quem doer'
Do outro lado, a estratégia dos aliados de Lula é manter o discurso de que as investigações precisam seguir acontecendo "doa a quem doer". A narrativa tem sido adotada para inquéritos que envolvem o entorno do presidente. Interlocutores afirmam que o mandatário concede autonomia para a Polícia Federal (PF). Paralelamente, o aparato do atual presidente pretende usar a retirada de sigilo da ação sobre Moraes para cobrar o ministro André Mendonça, que faça o mesmo com o inquérito sobre o “Dark Horse”. A referência é sobre o fato de Flávio ter enviado um áudio a Vorcaro pedindo dinheiro para financiar a cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ou seja: cada um defendendo seu lado.
‘Trabalhando’
Se na terça-feira, 1º, Alexandre Moraes foi o alvo dos encontros da relação com Alexandre Moraes, com Vorcaro, mensagens e áudios encontrados no celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal (PF) na “Compliance Zero”, revelam que o fundador do Banco Master se reuniu em São Paulo com o também ministro do STF, André Mendonça, em março do ano passado. As informações foram publicadas pelo ICL Notícias, ontem.
Segundo a reportagem, a aproximação entre Vorcaro e Mendonça foi articulada durante semanas pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL). Antes do encontro, mensagens indicam que os dois já haviam conversado com o ministro sobre uma situação envolvendo o Banco Master e o Banco Central. Em uma das conversas, Ciro enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Mendonça, em uma unidade de alfaiataria. Na sequência, enviou um áudio afirmando que estava “trabalhando” para o banqueiro. O material não esclarece a que tipo de trabalho Ciro se referia. Dito isso, qual ministro da Alta Corte está apto a investigar ou questionar o outro?
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