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Preto no Branco

Lá vem 

Lá vem 

As campanhas eleitorais seguem a todo vapor. Afinal, faltam apenas 24 dias para os eleitores irem às urnas. Enquanto isso, é caminhada nas ruas, colocação de placas nas ruas, distribuição de santinhos e centenas de mensagens enviadas por meio de WhatsApp. Pessoas que a gente nem sabe quem são. Enfim, responde se com uma carinha feliz ou um joinha para não render conversa. Claro. Pois independente da situação, a educação vem em primeiro lugar. Mas, o pior mesmo, são aqueles que ligam, ou melhor, mandam alguém ligar para pedir apoio. Antes deste período, a gente via o celular tocando com um número desconhecido e pensava: lá vem banco ou telemarketing. Na dúvida, atendia. Vai que é um boleto que se esqueceu de pagar. Agora, deixa “o pau torar”, como dizem nas redes sociais.

Lado feio 

E pior visto nos últimos dias, nem é esse “corre” atrás de votos, mas os ataques nada democráticos entre os candidatos. Um fala de cá, outro responde de lá. Incrível como na política brasileira, os candidatos se acostumaram a ganhar não com boas propostas que mude boa parte da realidade vivida pela população — que escolhe mal seus representantes, mas por meio de acusações e denegrindo a imagem do adversário. É um tal  de entrar na Justiça, pedir direito de resposta que ninguém merece. Aliás, tem políticos e candidatos que não apenas acham, mas têm certeza de que o Ministério Público e a Justiça estão por conta deles. Basta um respirar mais alto, que o outro entra com uma representação, notícia de fato, e por vai. Falta do que fazer e gasto de dinheiro do povo à toa. Que canseira!  

Presa fácil 

Se falta diálogo, sobram propostas vazias. É visível que a facilidade nas redes sociais agregou a superficialidade de forma sem tamanho. Apesar disso, ainda nos surpreendemos ao constatar que boa parte dos eleitores ainda faz uma escolha abaixo da crítica de seus futuros representantes. Essa “massa de manobra” por algum tipo de encantamento, como beleza, as roupas que vestem,  linguajar que agrada a muitos, danças, proximidade com políticos considerados  “deuses”, escolhe este tipo de candidato.  Sem falar daqueles ditos populares que fazem questão de destacar suas origens pobres, gesticulando, chorando, e atingem um poder de convencimento tão grande, que suas histórias de superação viram exemplos, principalmente para aqueles que se dizem abandonados pelo poder público.  Assim, se tornam presas fáceis para os exploradores de sofrimento alheio.  

Hipocrisia 

E vai muito mais longe. Quando acham que os artifícios mencionados acima são pouco, se valem de outros ainda piores, como a cor da própria pele.  Prova desta desfaçatez impregnada e generalizada na política brasileira é que cerca de 40 mil candidatos mudaram de cor ou raça. Dados disponíveis no Brasil de Fato, em reportagem publicada no dia 24 do mês passado. Um desrespeito ao povo que continua usando viseira, incapaz de enxergar as promessas irrealizáveis  feitas por candidatos na tentativa de agradar a camada menos informada e historicamente marginalizada. Isso é notório a cada dia nas propagandas eleitorais. Mas, enquanto os olhos da maioria permanecerem tapados, essa mesma quantidade e mais um pouco continuam arcando com a vida boa de suas escolhas nas urnas e padecendo em troca. 

Horizonte cinza

E nesse horizonte incerto, sem enxergar expectativa de melhora, seguimos assistindo o vacilo de algumas novas lideranças bem intencionadas, mas que se apagam pelas ameaças de outras más. Cenário nada animador, muito menos promissor que faz parte da história de sociedades ainda na UTI no sentido econômico, educacional, social, cultural e ético, que permita ao povo atingir um nível crítico e consistente, a fim de não se deixar levar por fetiches que encobrem a realidade nua e crua por meio de “lacrações” nas redes sociais e até compra de votos. 

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