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Preto no Branco

Estratégia - Preto no Branco

Por Gisele Souto · Redação· 4 min de leitura
Estratégia - Preto no Branco

A tática do PL, principalmente depois do vazamento do envolvimento de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro,  consiste em reforçar o apelo pela eleição de uma bancada de senadores de direita, que disposta a avançar com o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de 2027. A avaliação é de que a insatisfação de parte do eleitorado pode ser convertida em votos para seus candidatos. O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro e seu entorno consideram a disputa pelo Senado uma das principais frentes da campanha. O obhetivo é convencer o eleitor de que não basta eleger um presidente de direita para alterar a correlação de forças com o Supremo. É necessário também ter maioria no Senado. Vale lembrar que o nome do partido em Minas é o do deputado Domingos Sávio. Nome, inclusive, que comunga destes mesmos pensamentos e defende isso com críticas ferrenhas ao STF. 


'Dani' e 'lindão'

Quando o assunto é Vorcaro, cada dia, uma surpresa. Depois dos ministros da Suprema Corte citados, nesta quinta, 3, foi a vez de aparecer um nome bem conhecido por criticar de forma ferrenha os ministros e os envolvidos com o Banco Master: o deputado federal Níkolas Ferreira (PL). Um áudio extraído pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, o Nikolas pede ajuda ao banqueiro para intermediar a liberação de um “ativo de minério” de um ex-assessor de seu gabinete. O deputado que representa Minas,  diz que gostaria de ter maior proximidade com o banqueiro e chama Vorcaro de “Dani” e “lindão”. Nikolas pede a Vorcaro ajuda com uma pendência em um ativo minerário de seu ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria. O áudio de Nikolas para Vorcaro publicado pelo portal ICL Notícias. Ou seja: a coisa lá vai desandando. 


Voltou atrás

E  o que não falta nesta semana, são as "navaiadas" de ministros. Desta vez, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli,  que voltou atrás e liberou a realização de propaganda eleitoral pelo candidato à Presidência Renan Santos (Missão) em redes sociais que já estejam registradas no órgão eleitoral. No despacho desta quarta-feira, 1º, ele também autorizou os repasses de recursos do fundo eleitoral e a participação de Renan em debates.  Toffoli havia suspendido a campanha do candidato na última segunda-feira, 31. Segundo o ministro, 16 perfis nas redes sociais ligadas ao candidato foram informados ao TSE fora do prazo, o que seria "indício de fraude à lei". Renan Santos relacionou a decisão do ministro a críticas que afirma ter feito anteriormente a ele. Depois de tudo que vem acontecendo nos últimos dias, não se pode duvidar mais de nada. 


Era esperado 

Enfim, Rodrigo Pacheco (PSDB)  onde almejou, ao fugir de candidatura nas eleições deste ano. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 2, a indicação do senador para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Foram 404 votos a favor e 61 contrários à indicação, além de uma abstenção. Pacheco foi indicado para substituir Bruno Dantas, que renunciou ao cargo nesta semana. Como seu nome já havia sido aprovado na noite de terça-feira, 1º, pelo Senado, a indicação segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional. O TCU é um órgão de controle externo da administração pública federal, mas não integra o Poder Judiciário. Funciona como órgão auxiliar do Congresso Nacional na fiscalização da aplicação dos recursos públicos federais. A indicação do "mineiro" foi do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), com apoio de outros 20 senadores, tanto da base governista, quanto da oposição. Por isso, as vantagens de transitar de todos os lados, deixando de lado a doença da esquerda e direita. 


Perfil

Pacheco foi deputado federal, de 2015 a 2018, e presidiu o Senado por duas vezes, nos biênios de 2021-2022 e 2023-2024. Nascido em 1976 e natural de Porto Velho, é bacharel em direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e especialista em direito penal econômico internacional. Advogado criminalista, também foi conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Pacheco presidiu o Senado durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, durante a segunda e mais letal onda da pandemia, que incluiu crise de oxigênio em Manaus e a aceleração da vacinação. No Congresso, foi autor de propostas como o marco regulatório da inteligência artificial. Dito isso, se depender do currículo, o TCU não estaria em melhores mãos.


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