Quem paga?

O governo federal anunciou com alarde o Programa Brasil Soberano, embalado em tom patriótico e promessas de proteção aos exportadores. A MP 1.309/2025, assinada por Lula, libera R$ 30 bilhões para tentar compensar os prejuízos causados pelo tarifaço dos Estados Unidos, que aumentou para 50% as taxas sobre alguns produtos brasileiros. A resposta foi apresentada como “rápida e eficaz”, segundo os ministros Haddad e Alckmin. Mas, passados quase 15 dias desde que o tarifaço entrou em vigor - em 6 de agosto - pouco se viu de concreto. O que se tem até agora são promessas: crédito facilitado, prorrogação de impostos, compras públicas emergenciais... Tudo muito bonito no papel. Só que a pergunta continua no ar: de onde exatamente sairão esses R$ 30 bilhões? Do superávit do Fundo de Garantia à Exportação, dizem. Mas, no fim, a conta muda de nome, mas cai no colo de sempre: o contribuinte. E vai ficar só nisso? Os setores afetados querem – e precisam – de mais.
Agora é oficial
O governador Romeu Zema (Novo) subiu no palco do partido em São Paulo no último sábado, 16, já se apresentando oficialmente como pré-candidato à presidência. Foi aplaudido, recebeu faixa, teve até trilha sonora e coro contra o STF. Mas será que Zema, de fato, tem força para sair de Minas direto para o Planalto? No discurso, ele atacou o PT, falou em “varrer o partido do mapa” e acenou com gosto ao eleitorado bolsonarista, prometendo acabar com os “abusos e perseguições” da Justiça. Também exaltou seu trabalho em Minas — embora o estado não esteja mil maravilhas, com uma segurança pública em crise e ainda sem aprovar o acordo da dívida com a União. Zema busca mostrar uma imagem de gestor técnico, moderno e “leve”. No entanto, ao focar bastante nas críticas ao PT e dar sinais claros para o eleitorado da direita, fica a dúvida se a campanha vai trazer mais novidades ou apenas reforçar o que já estamos cansados de ver no debate político.
Até quando?
Enquanto Zema lança sua pré-candidatura com discursos e palanques, outra questão urgente em Minas Gerais segue sem solução: o futuro do Samu. Há quase dois meses, o problema do serviço de atendimento móvel de urgência está em pauta, com sério risco de parar em diversas regiões do estado. O tema voltou à Assembleia na quinta-feira, 14, com uma audiência que destacou a grave situação financeira e estrutural do Samu. Na Comissão de Saúde, especialistas, sindicatos e consórcios alertaram que a falta de regulamentação dos condutores socorristas e a queda nos repasses federais pressionam o serviço ao limite. Municípios e Estado já não conseguem arcar sozinhos com os custos. A resposta oficial, porém, segue lenta e insuficiente. Enquanto a população espera por um serviço que não pode parar, os órgãos públicos parecem arrastar o tempo. A audiência serviu para mostrar a urgência, mas soluções concretas ainda não chegaram. A pergunta que fica é simples — e urgente: até quando vai essa demora? Quantas vidas precisam estar em risco para que os governos atuem de verdade?
Não é só uma semana
A XVI Semana Municipal da Pessoa com Deficiência começa na quinta-feira, 21. A abertura, em Divinópolis, será com a tradicional caminhada pelo centro da cidade, marcando o início de uma programação que vai até o dia 28, com palestras, ações de acolhimento e atividades de conscientização. Com o tema “Deficiência não define, oportunidade transforma”, o evento reforça uma pauta que não pode aparecer só uma vez por ano. A inclusão precisa ser permanente — nas ruas, nas escolas, no mercado de trabalho e nas políticas públicas.
Lucas Maciel

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