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Preto no Branco

Mostrou sua força 

Por Bruno
Mostrou sua força 

"A voz do povo é a voz de Deus" e como é! Pena que ele ainda não tem consciência disso, especialmente no Brasil, onde os seus representantes em todos os sentidos, fazem o que querem. Exemplo recente e local, é a manifestação de moradores de bairros próximos à BR-494, na área urbana de Divinópolis, na semana passada. O ato que contou com a presença de lideranças e quem vive o perrengue no dia a dia, do Serra Verde, Anchieta, Nova Fortaleza I e II, que só não parou a rodovia por falta de policiamento necessário, trouxe no mesmo dia ao local, representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), vindos de Belo Horizonte. E teve mais: três dias depois, última sexta-feira, um trabalho paliativo já era realizado pelo órgão no local. O que foi rejeitado pelos moradores e lideranças políticas, que exigem ações pontuais que eliminem os riscos que dezenas de pessoas que atravessam a rodovia correndo em meio aos carros, visto que o fluxo é gigante. Reclamação feita, e atendida. Na manhã desta quarta-feira, um dos diretores  do Dnit e sua equipe estiveram nos trechos vistoriando. Ou seja: se o povo soubesse a força que tem, e tivesse iniciativa, a sua realidade seria bem diferente. 

Lutadores incansáveis 

Dentro dos flagelos da 494 e da MG-050, das lutas, reivindicações e conquistas, duas pessoas merecem todos os méritos: os vereadores Ana Paula Quintino e Josafá. São incansáveis defensores, liderando reivindicações, indo a inúmeras reuniões até fora de Divinópolis, além de "colocar os responsáveis na parede", junto aos órgãos que atuam, aos deputados que representam a cidade, ou usando a Tribuna da Câmara para expor a situação e cobrar. Isso, nas reuniões ordinárias, ou em audiências públicas. Resultado de um trabalho que não depende de gritos, xingos e ofensas pessoais a ninguém. Representam muito bem, a Câmara e o povo de Divinópolis. Aplausos de pé. 

Troca de votos 

Além disso, enxergar quem realmente faz algo por ele, voltando ao primeiro tópico, se o povo soubesse um monte de coisas, que o conceito de cidadania inclui direito e deveres, por exemplo, não trocaria o voto por favores,  não usaria cabresto, já que é totalmente livre para pensar e decidir. Mas insiste em ser dominado e participar do troca-troca, em especial nos períodos eleitorais. Por isso  que o país não anda, pois os valores morais e a ética há muito, não faz mais parte do vocabulário de muita gente. Prova disso, é a qualidade dos  seus representantes nos mais diversos cargos políticos. Afinal, de onde eles saem?

Poder coletivo 

Diante de tantos desmandos, "sacanagens" e pressão cometidos por aqueles que têm o "poder" nas mãos, a força do povo, esbarra muitas vezes — talvez, por isso, seja muito acomodados, no poder coletivo de uma sociedade, que na maior parte do tempo, é subestimada pelos próprios membros que fazem parte dela.  É provado na história mundial, que movimentos de transformação social e política surgiram exatamente, quando grupos oprimidos ou desprivilegiados tomaram consciência de seu poder e se uniram em torno de uma causa comum. A força do povo reside na capacidade de mobilização, na união e na ação coordenada em prol de um objetivo. Justamente, o que aconteceu na manifestação da 494. Que sirva de exemplo para moradores de outras localidades do município, que carecem do básico, mas moradores não têm coragem sequer de ir à Câmara, exigir dos seus representantes mais próximos. 

Ah, a Câmara 

Aproveitando que foi citada acima, segue jogada "às traças" por aqueles que colocaram seus representantes lá. Durante as reuniões, tem mais assessores para não perder nada para as redes, do que público vendo. É a plateia mais vazia que já vi, somando cidades onde trabalhei e outras que conheço. Quanta falta de interesse. Mas, também vê e ouvir o quê? Discursos de assuntos de fora, vazios, falando mal de alguém, alfinetando seus adversários... Dá preguiça de assistir, imagina pessoalmente. Mas, como dito acima, assim como seus escolhidos para os cargos, a movimentação só existe quando o assunto é de interesse próprio. A audiência pública sobre a Uemg na última segunda-feira, é exemplo disso. Enquanto esta mentalidade persistir, vai seguir "capengando", letárgicos, que nem seus representantes. 

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