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Preto no Branco

Retrocesso descarado

Por Bruno
Retrocesso descarado

Quando se acha que as decisões dos representantes do povo em Brasília não podem piorar e ser "batido o martelo" de acordo com os seus interesses, não é que nos enganamos, mais uma vez? Oh, quanta surpresa! Em especial por ser praticamente véspera de eleições. Aí é que a desfaçatez rola solta.  Sim, senhor! O Senado aprovou nesta terça-feira, 2, com 50 votos favoráveis e 24 contrários, um projeto que altera a lei da Ficha Limpa e muda a contagem do tempo em que uma pessoa fica proibida de se candidatar às eleições, a chamada inelegibilidade. Esse prazo é de oito anos, mas o momento em que é aplicado varia de acordo com o tipo de crime cometido. Com a  alteração na norma, este prazo pode ser reduzido em alguns casos. Na prática, diminui o tempo de punição para políticos cassados A proposta aguardava há um ano votação em plenário. Coincidentemente, foi aprovado afoitamente, no dia em que começou o julgamento os acusados de golpe do 8 de janeiro. Agora segue para a sensação do presidente Lula (PT). Será que ele vai compactuar com o descaramento? Se sim, também não será surpresa. Afinal, o Executivo não faz nada sem a “benção” dos nobres do Congresso. Além disso, existe uma reeleição em jogo. 

O sim do presidente 

Vale ressaltar que não apenas o Congresso está celebrando a alteração na lei. Tem muito mais gente, visto que a decisão beneficia não apenas senadores e deputados, mas vereadores e também os representantes do Executivo: governadores, prefeitos e seus vices. E para nenhuma surpresa, o presidente do Senado , Davi Alcolumbre (União-AP), deixou momentaneamente a presidência da sessão para dizer seu sim à alteração. Afirmou fazer questão da atualização da lei para dar o espírito do legislador, chamando-a de moderna, sob a alegação de que inelegibilidade não pode ser eterna. Ok! Porém, a corrupção não só pode como é. Fazer do cargo por 20, 30 anos um emprego fixo, travar pauta de interesse do povo por divergência política com A ou B, pagar pelo voto...Tudo isso pode durar para sempre. Quanta hipocrisia e falta do que "queima na cara"!

Sem efeitos para Bolsonaro

Mas, quem disse que apesar da escolha do dia para a mudança, eles pensaram na situação do ex-presidente? Políticos "abutres", com as devidas exceções é claro, pensa quando decidem algo, mira alguém que não seja eles próprios? No caso de Bolsonaro, o projeto não altera a condição porque está inelegível até 2030 por abuso de poder político. Neste caso dele específicamente, o texto mantém válida a regra atual. Conforme a proposta, na condenação igual a do ex- presidente,  o político fica proibido de disputar eleições por oito anos, que serão contados a partir da data da eleição na qual ele cometeu o crime. Ou seja: a meta é salvar a si próprios já pensando em eventuais situações futuras. Por estas e outras, é que as mudanças nas leis feitas por eles, nunca é pensado no povo. 

Não é de hoje 

Boa parte da população — aquela que acompanha os desmandos diários — acredita que à política brasileira atual é nada mais do que um circo. Em especial para os mais jovens, esta realidade no Brasil é recente. Mas, infelizmente, não é. Quem tem acima 40 anos, por exemplo, provavelmente, se lembra, mesmo que pouco, dos debates que havia entre os políticos nas décadas de 80 e 90, envolvendo, Brizola, Enéas, Orestes Quercia, Mario Covas, Paulo Maluf, entre outros.  Estes, já protagonizaram espetáculos, não tão visíveis como hoje, com as redes sociais a todo vapor, iguais ou até piores. Isso deixa claro, que nunca foi muito do caráter da maior parte dos políticos brasileiros,  discussões sadia por ideias. Por aqui, atacar o lado pessoal parece que sempre fez parte do 'modus operandi' da política nacional. Resumindo: as lonas, as arquibancadas e as atrações circenses, só modernizaram e trocaram de rostos. 

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