Patético

Para não dizer outras palavras. O que se viu nesta quarta-feira, no retorno aos trabalhos na Câmara dos Deputados, foi além do tolerável. Comportamento com quebra de protocolo de que ganha mais de R$ 40 mil por mês do povo para representálo. Péssimo exemplo, num ambiente de tensão desnecessário simplesmente para em busca de interesses próprios. E os eleitores que escolheram um daqueles patéticos ficam a ver navios com tudo parado, enquanto os "bonitões dão birrinha"? Para se ter ideia do espetáculo protagonizado durante quase todo dia, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), conseguiu encerrar apenas no fim da noite, a sessão plenária que marcou o início dos trabalhos após o recesso parlamentar. Em resumo, só um discurso na retomada devido à resistência da oposição, que manifestava a favor de que seja pautado o projeto da Anistia aos condenados pelo 8 de janeiro de 2022. Enquanto isso, assuntos primordiais para o país ficam parados por causa de baderna protagonizada por "políticos doentes" por partidos e seus ídolos dentro deles.
Circo
"Se cobrir vira circo, se cercar vira hospício". Qualquer um dos dois — por trás das lonas ou manicômios —, se encaixa perfeitamente no que o Legislativo brasileiro vem protagonizando na Câmara Federal, nas municipais, assembleias... A pergunta é: como as pessoas escolhem tanta gente deste nível para representá-las? Tem que ter outra coisa que não seja, a falta de conhecimento ou a compra de votos. Ao contrário, pode esquecer! Não tem conserto. Entra eleição, acaba a votação, chega outra, e o cenário é o mesmo. Políticos pobres de conhecimento, argumentos e sentimentos. Como diz a música interpretada pela dupla Gino & Geno: "Nóis se finge de leitão pra poder mamar deitado".
Firmeza?
Ao conseguir se pronunciar, Motta ressaltou afirmou sua discordância com o movimento da oposição, e que não se distanciará da “serenidade, do equilíbrio”, nem da “firmeza” para presidir a Câmara dos Deputados. Não foi o que pareceu com parlamentares birrentos "arrotando" ódio durante todo dia. Desobedecendo de forma irresponsável o Regimento Interno. Não basta ameaçar com suspensão os baderneiros, é preciso ter pulso firme e fazer imediatamente. O povo não é obrigado a ver cenas tão bizarras dos seus empregados por simples "dor de cotovelo".
Risco
E dentro da confusão que ultrapassou todas as barreiras ideológicas, uma cena chamou a atenção do país. A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC), que estava entre os ocupantes do Plenário da Câmara, levou a filha de quatro meses para o meio da bagunça e causou tensão com os pares favoráveis ao governo. Chegaram a afirmar que ela pode ser responsabilizada por usar a criança para impedir que seja retirada do local. Segundo eles, fere o estatuto da criança e do adolescente. Lindbergh Farias (PT) chegou a dizer que acionou o Conselho Tutelar contra a colega de Câmara. Cena lamentável. Imagina um bebê no meio de uma baderna dessa. Gritos, empurra-empurra, sem contar o risco de ser contaminado com um vírus em meio a tantas salivas em um ambiente sem ventilação. Tudo isso para quê? Defender o indefensável e tentar enfiar "goela a baixo" de muita gente, que, infelizmente, se acostumou com o circo e a mentira.
Medo ou cautela?
Em meio à obstrução da oposição na Câmara, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil), decidiu que a sessão na Casa nesta quinta-feira, 7, e as próximas sejam realizadas “temporariamente em sistema remoto”. A decisão, conforme ele, tem como objetivo “garantir o funcionamento das reuniões” e impedir que pautas sejam paralisadas. O senador garantiu ainda que a Casa seguirá votando matérias “de interesse da população” e cita pautas como o projeto que assegura a isenção do Imposto de Renda para certas faixas. É o que se espera. Afinal, como ele mesmo disse, a democracia se faz com diálogo e responsabilidade. Mas, infelizmente isso deixou de acontecer há muito no Brasil. E não vai ser pelas mãos dos atuais representantes, que esta realidade irá mudar.
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