Contradição

No mesmo momento em que o governo Romeu Zema (Novo) anuncia — em maio último —a publicação de um decreto de contingência para limitar gastos nas secretarias e órgãos públicos, incluindo cortes de recursos na Polícia Militar (PMMG), arranca daqui com uma enorme comitiva para El Salvador, para conhecer estratégias de segurança. Além dele, o secretário de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Rogério Greco, o secretário de Comunicação Social (Secom), Bernardo Santos, e o superintendente de Relações Nacionais e Internacionais da Secretaria de Casa Civil (SCC), Igor Tameirão, estiveram em San Salvador por três dias. A agenda foi na semana passada. Todo aprendizado é válido, principalmente em se tratando da segurança da população, mas como aplicar alguma estratégia em uma polícia que foi proibida até de treinar? Não seria melhor investir esse gasto em melhorias, o que é essencial, para depois inovar? Se não se tem o básico, vai técnica especializada? Realmente, não dá pra entender.
Intercâmbio
Além de conhecer as estratégias de segurança pública implementadas no país, a meta é avaliar e avaliar as possibilidades de intercâmbio de conhecimento com Minas, considerado um dos estados mais seguros do Brasil. Na verdade, já foi ultimamente vem deixando a desejar. Será por quê? "O que nós vimos aqui, em El Salvador, é que as facções não são invencíveis, e que esse é um problema possível de se resolver. É preciso coragem para declarar guerra ao terrorismo criado por estas organizações", destacou Zema. Duas contradições em uma fala só: se é o estado mais seguro, essas organizações não estão dando tanto trabalho assim. Outra, pra declarar guerra contra estes grupos criminosos, é preciso uma polícia preparada e bem armada, ou não?
Equilíbrio
À época da publicação do decreto, o Executivo estadual afirmou que a medida era necessária para manter o equilíbrio das contas públicas. Como parte dele, uma circular interna enviada ao Comando da PMMG determinava que todas as diligências administrativas fossem suspensas e que houvesse a devolução para os cofres públicos de créditos orçamentários liberados, empenhados ou pagos. Além disso, a Academia de Polícia Militar teria que cortar o treinamento policial. Isso, dias depois de uma manifestação realizada em Belo Horizonte por profissionais das forças de segurança pública. A categoria pede apenas o que é seu direito e prometido por Zema ainda em seu primeiro mandato: recomposição de perdas salariais e valorização profissional. Onde se encaixa essa ida a El Salvador? Se alguém tiver a resposta.
Concurso
E a viagem não é a única questão a gerar dúvidas. O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública Rogério Greco participou, na manhã desta terça-feira, 3, de reunião na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) como parte da Prestação de Contas do Governo 2025, estratégia que compõe o programa Assembleia Fiscaliza. Na oportunidade, anunciou um concurso para a área da segurança. Ele iniciou sua apresentação com dados do sistema prisional no Estado, quando disse que o último concurso para Policial Penal, realizado em 2021, foi finalizado com 3.405 nomeações. A partir desta colocação, anunciou a realização de um novo concurso para este ano, com previsão de 1.178 vagas, além de um processo seletivo simplificado para contratação temporária de 686 policiais. Notícia espetacular, se não fosse trágica na situação em que estes servidores se encontram atualmente. Se não tem recomposição há anos para os atuais, vai pagar como se inchar a folha? Nem Freud explica.

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