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Preto no Branco

Ninguém entendeu 

Ninguém entendeu 

A Portaria da Câmara de Divinópolis que nomeou a Comissão Especial Administrativa para avaliar a justificativa de ausência de vereadores nas reuniões. O que é  previsto no Regimento Interno da Casa e não é de hoje. Como também as constantes faltas e ausências no plenário durante os encontros são "velhos como serra". E só agora, a medida é tomada? No mínimo suspeito, se a mira é mesmo o ex-vereador Roger Viegas (Republicanos), como se comenta nos bastidores. A pergunta é: será que se ele tivesse sido reeleito essa medida teria sido tomada? Não é segredo que a cumplicidade entre a maioria que responde "amém" por lá, em inúmeras decisões, "rola solto". Agora, se alguém resolve se rebelar — sem afirmar que este é o caso —, a retaliação é imediata?  "Chutar cachorro morto" é fácil.

Coincidência? 

Provavelmente, não. Roger Viegas andou faltando às reuniões por diversas vezes depois das eleições. Além disso, foi um dos mais críticos ao absurdo e inadmissível reajuste do vale-refeição. Não resta dúvida que isso incomodou alguns vereadores da atual legislatura que já contavam com esse rendimento a mais em seu gordo subsídio. O que mais seria, visto que Roger teria justificado suas ausências? Este PB revela a outra motivação, que, aliás, tem tudo a ver com vale-alimentação. Houve uma movimentação na Casa no segundo semestre do ano passado para aumentar os salários dos vereadores, que até o início de 2020, recebiam o mesmo valor dos secretários municipais. O objetivo no ano passado era voltar às mesmas cifras. No entanto, o desgaste por ser ano eleitoral poderia significar a não reeleição da maioria. Mas, não foi só por isso. Estava tudo pronto para ser levado a discussão, quando Roger viu a movimentação no Plenarinho e denunciou. Temendo a repercussão negativa, recuaram. No entanto, não deixaram barato, é óbvio. A resposta está clara com a criação desta comissão, mesmo as faltas tendo ocorrido na legislatura passada. Como a vingança "é um prato que se come cru", na primeira oportunidade, ela veio. Mesmo que velha, uma forma de mostrar que: "quem não está conosco", sofre as consequências. Infelizmente, essa é a nossa política de cada dia. Lamentável. 

Caso pensado

Como a intenção de reajustar os salários tinha ido "por água abaixo", precisava-se encontrar uma forma de suprir o valor pensado de uma outra forma. Surge então, a brilhante ideia do vale-refeição, só que não! Não souberam nem disfarçar a "tramoia" elevando o benefício a um valor absurdo. Vieram as denúncias, as reclamações e parte da população aderiu. Não aguentaram a pressão e novamente recuaram. E olha que ninguém sabia os verdadeiros motivos, pois o furdunço seria ainda maior. É muita lambança em pouco tempo.

Redução dos salários 

Só para explicar para quem não se recorda da redução salarial dos vereadores, foi em 2020,  quando uma  proposta da Mesa Diretora, que tinha como presidente, Rodrigo Kaboja, estabeleceu um salário mínimo como subsídio, com validade para a próxima legislatura (2021-2024). A alegação à época foi a crise financeira devido à covid-19. A proposta foi protocolada no dia 14 de abril daquele ano em que  o salário bruto de vereador era de R$ 12.177,65.  Mas, foram salvos pela então vereadora Janete Aparecida que apresentou uma emenda ao projeto  reduzindo em 25%, caindo então para R$ R$ 9.133,23. Atualmente, R$ 11.624,53 bruto, houve reajuste de acordo com a inflação nos últimos quatros anos.  O fato é que de lá para cá, alguns nunca desistiram de voltar ao patamar anterior. O que explica toda esta situação descrita acima. E não resta dúvida  que uma hora ou outra, este objetivo vai ser atingido. Por agora, devem esperar as coisas esfriarem e o povo — que tem a memória curtíssima — esquecer. Podem anotar!

É obrigação 

Ainda sobre as faltas, conforme o Regimento Interno determina, é dever do vereador comparecer no dia, hora e local designados para a realização das reuniões da Câmara e das comissões. Caso contrário,  precisa apresentar justificativas por escrito à Presidência, pois pode ocasionar até em perda do mandato. Certíssimo, afinal, um eleito que não conseguir ir duas vezes à Câmara nos encontros, pode entregar o cargo, pois não serve para representar o povo. Tem que formar comissão, investigar sim, e obrigar o representante a cumprir sua obrigação. Este PB concorda em gênero, número e grau. O que não pode é fazer de forma injusta, apenas por perseguição e vingança. E estamos conversados!

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