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Preto no Branco

Muito grave 

Por Gisele Souto · Redação· 3 min de leitura
Muito grave 

A crise instalada desta vez na maior instância da Justiça brasileira é sem precedentes. Não é a primeira vez que o Supremo Tribunal Federal (STF)enfrenta situação conflitante e, principalmente, de descrédito, mas não havia chegado tanto "ao fundo do poço". É denúncia de cá, de lá, ministros sendo alvo, outros determinando medidas que não são de sua competência. Momento em que muitos envolvidos estão se esquecendo de que os três poderes do país - Executivo, Legislativo e Judiciário -, precisam ser parceiros, mas independentes. A partir do momento em que um deles começa a "meter a colher" no comando do outro sem ter prerrogativa para isso, vira bagunça generalizada, exatamente o que está se vivenciando, em especial, nos últimos dias. Se nada for feito urgentemente, o que era caminhar para o "fundo do poço" colocou toda a sociedade brasileira a um passo de cair. 

Riscos 

A interferência de um poder no outro, rendeu durante todo o dia desta terça-feira, 8, depois que o ministro André Mendonça determinou o afastamento do do chefe da Polícia Federal e um dos diretores. Horas depois, a corporação alertou o presidente Lula (PT) que a decisão poderia afetar investigações em curso, gerando preocupação. Um dos casos citados ao chefe do Executivo nacional como potencialmente afetado é o do Banco Master, o qual a expectativa é de que o relatório final seja finalizado ainda neste mês. Outra preocupação apontada pela PF, está a restrição imposta por Mendonça à produção e ao compartilhamento de relatórios de inteligência. A tensão permaneceu até a manhã desta quarta-feira, 9. Saiba porque no próximo tópico. 

De volta 

A crise ganhou novos contornos. O ministro Flávio Dino determinou ainda na manhã desta quarta, a reintegração do diretor-geral da PF e do diretor de inteligência, depois que o afastamento dos dois provocou forte reação dentro da própria polícia e ampliou a crise entre integrantes da Suprema Corte. Decisão que representa mais um capítulo da disputa que envolve a atuação da Polícia Federal em investigações sensíveis e coloca novamente ministros em lados opostos. Na avaliação de Mendonça, houve irregularidades na atuação da estrutura de inteligência da corporação. A decisão, porém, provocou reação entre integrantes da corporação e terminou na revogação de Dino. Ou seja, mais um capítulo que pode ser alterado a qualquer momento.

Descrédito total 

É o resultado de um escândalo atrás do outro e seguidas crises. Mais da metade dos eleitores brasileiros avalia que os ministros do STF tomam decisões baseadas mais em interesses próprios do que na legislação vigente, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada ontem.  A frase perguntada foi exatamente esta acima, quando se trata de olhar para o próprio umbigo. 51,6% concordaram, apenas 10,9% discordam e 23,9% não comungaram com nenhuma das opções. 13,6% não sabem ou não responderam, para variar! A pesquisa também mediu o nível de confiança da população na mais alta Corte do país. O resultado indica que 21,3% dos entrevistados  não tem nenhuma confiança no STF, enquanto 28,4% afirmam ter pouca confiança, enquanto 31,2% declaram ter pouca confiança. E sem nenhuma surpresa, apenas 7,3% relataram ter muita confiança na Corte Suprema. Está aí o que a população vê nesta crise institucional sem precedentes.  

Segue líder 

Ainda sobre pesquisa, mas desta feita, eleitoral,  o cenário  na corrida pelas duas vagas do Senado em Minas sofreu uma alteração, não na liderança, já que a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT) segue à frente com 13% das intenções de voto. Mas, na segunda colocação, que agora é ocupada pelo ex-governador, Aécio Neves, que já soma 10% das intenções mesmo tendo entrado bem depois na disputa. O senador Carlos Viana (PSD) vem logo em seguida com 8%. A petista lidera desde o primeiro levantamento. No entanto, se considerada a margem de erro que é de 3 pontos percentuais, os três primeiros estão tecnicamente empatados. Isso significa que a briga pelos votos será ferrenha até à véspera da votação. 


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