Riscos e anistia

Se o ex-presidente, Jair Bolsonaro (PL), que teve alta hospitalar neste domingo, irá obedecer aos médicos, ainda não sabe, já que ele costuma ser muito teimoso. Mas, os profissionais que cuidaram dele no período de internação, o orientaram a não comparecer ao ato marcado para 7 de maio, esta quarta-feira, organizado pela oposição em defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A recomendação para evitar aglomeração, se deve ao alto risco de infecções. No entanto, se depender da língua afiada, logo depois da saída do hospital, não será surpresa se o ex-presidente aparecer na manifestação. Ele voltou a fazer duras críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que é o relator do inquérito que trata dos atos de janeiro há mais de dois anos. Bolsonaro afirmou ainda na porta da unidade de saúde, que teve a defesa prejudicada na ação na qual se tornou réu no STF. Não perdeu a oportunidade para defender a anistia aos condenados por participação na invasão aos três poderes em 2023. A manifestação está marcada para amanhã, às 16h, na Torre de TV, em Brasília. Já o projeto sobre o tema, se depender da situação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), pressionado de todos os lados, ainda vai demorar.
Costura e apoiadores
Apesar da "saia justa" vivida por Motta, ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União) costuram um texto alternativo ao projeto. O movimento, iniciado no início do mês passado, tem o aval do Supremo Tribunal Federal (STF), que também participa das conversas. Entre os políticos envolvidos na discussão está o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). De Minas também, tem apoiadores ferrenhos do projeto, como os deputados Domingos Sávio (PL) e Nikolas Ferreira, do mesmo partido, além do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A meta é criar uma proposta que não seja inconstitucional e que, ao mesmo tempo, deixe de lado o perdão total aos atos antidemocráticos. Seria um texto com “equilíbrio”, em razão de reclamações tanto da direita quanto da esquerda em torno do atual relatório do PL da Anistia, elaborado pelo deputado federal Rodrigo Valadares (União). Mudança que vai gerar discussão, discordâncias e muita polêmica. Por isso, a demora é atualmente a única certeza sobre a proposta.
Doenças e emergência
O tempo nem esfriou, mas já deu sinal de como serão as baixas temperaturas neste ano, em relação à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Depois de Minas Gerais decretar situação de emergência devido ao números de casos de diversas doenças, algumas cidades do Estado expedirem este alerta na saúde pública. Já são seis municípios, pelo menos até o fim de semana. Belo Horizonte, Betim, Conselheiro Lafaiete, Contagem, Pedro Leopoldo e Santa Luzia. Mas, com certeza, não serão as únicas, visto a facilidade do vírus em se espalhar, além de outros fatores típicos desta época. Todo cuidado e prevenção é pouco. E o primeiro passo é aproveitar que a vacina contra gripe está disponível para todo público e correr para o posto de saúde.
Alta e decreto
O governador Romeu Zema (Novo) já havia publicado um decreto para o enfrentamento da crise sanitária no estado, na última sexta-feira, 2. O documento tem validade de 180 dias. Segundo o Executivo estadual, Minas enfrenta uma alta significativa de quadros das doenças, e as internações pediátricas registraram nas últimas semanas, um crescimento acelerado, assim como as buscas por leitos de UTI e enfermarias. Faz parte das ações previstas no documento, a dispensa de licitação para aquisição de bens e serviços essenciais ao enfrentamento da crise. É orar para que a estratégia dê certo e cada um agir para se evitar o pior.
Trabalho e precariedade
Ainda sobre saúde e sua qualidade, os deputados da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) visitaram ontem o Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte. O objetivo foi avaliar as condições de trabalho dos funcionários, a infraestrutura do hospital e a qualidade do atendimento prestado à população. Há uma preocupação com um possível desmonte dos serviços públicos estaduais de saúde. A iniciativa foi motivada por denúncias dos servidores da unidade de saúde que reclamam de fechamento de leitos, falta de insumos, sobrecarga das equipes, interrupção de cirurgias e riscos à integridade física de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sem dúvida, muito preocupante. Aguardemos os resultados.
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