Derrota dupla

O resultado das eleições para o Romeu Zema (Novo), pelo menos em Belo Horizonte, foi um desastre. No primeiro turno, o governador subiu no palanque de Mauro Tramonte (Republicanos) ao lado de Alexandre Kalil, no entanto, sofreu a primeira derrota. O deputado estadual esteve à frente nas pesquisas eleitorais ao longo de toda campanha eleitoral, mas acabou a disputa em terceiro lugar com 15,22% dos votos. Entre Bruno Engler (PL) e Fuad Noman (PSD), Zema declarou apoio ao candidato apoiado por Bolsonaro, e também não obteve sucesso. Noman foi o 53,73% do total de votos válidos. O consolo é que pelo menos na sua cidade natal, Araxá, ajudou a reeleger Robson Magela (Cidadania). Enquanto que, pelo seu partido, não se tem notícias que ele tenha subido aos palanques com os candidatos, como em Divinópolis, onde o Gleidson Azevedo não teve nem um vídeo enviado por ele pedindo apoio para a sua reeleição. Vai entender!
Naturalidade
Sobre a derrota dupla, Zema disse à Itatiaia que encara a situação com naturalidade e que independentemente de apoios, o que prevalece é a escolha do eleitor. É fato, mas doído, não resta dúvida. O governador aproveitou para falar sobre o trabalho junto ao prefeito reeleito em obras de infraestrutura necessárias para a capital, e também para a região Metropolitana, como o Rodoanel. Disse que conversas com prefeitos da Grande BH sobre o Rodoanel, incluindo Fuad, estão “fluindo bem” e espera que Noman consiga com o governo federal essas obras que já foram prometidas há muito tempo, mas nunca foram realizadas. Pelo seu lado, o prefeito defende a municipalização do Anel Rodoviário e já disse que pediu a autorização do governo Lula (PT) para que parte do trecho da rodovia seja transferido para a Prefeitura de Belo Horizonte. Diálogo necessário que Fuad leva uma certa vantagem, visto que teve o apoio de Lula (PT) e aliados. Já Zema, fã declarado de Bolsonaro, vive alfinetando o presidente. Se bem que até essas obras saírem do papel, é bem provável que Romeu Zema não esteja mais no comando do Estado.
Três mudanças
A alteração na composição da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) — nenhuma no segundo turno — tem um nome da região Centro-Oeste: Fábio Avelar (Avante). Após dois mandatos de deputado estadual, se candidatou a prefeito e venceu em Nova Serrana com 60,85% dos votos. Quem assume sua vaga no parlamento mineiro é a advogada Carol Caram, primeira suplente do partido. Além dele, Douglas Melo (PSD) vai comandar a Prefeitura de Sete Lagoas, região Central, eleito com 43,23% dos votos, também deixa a ALMG. E o deputado Coronel Sandro (PL) eleito em Governador Valadares, Vale do Rio Doce. Havia outra possibilidade de mudança, caso Bruno Engler fosse eleito prefeito de BH. Com a vitória de Fuad Noman, tudo permanece como antes, ou seja, permanecem as alterações do primeiro turno das eleições.
Apelidos inusitados
As fakes news e as agressões não foram os únicos destaques negativos nas eleições deste ano. Dados da MonitorA – observatório de violência política de gênero online do Instituto AzMina, InternetLab, Núcleo Jornalismo e Laboratório de Humanidades Digitais da Universidade Federal da Bahia (LABHD-UFBA) mostram que “mentirosa”, “louca” e “fraca” foram os adjetivos mais usados para ofender candidatas no 2º turno. O grupo analisou comentários feitos em transmissões de debates no YouTube por todo o Brasil. Padrão de ataque, conforme especialistas, para deslegitimar as candidaturas femininas e desestimular a participação de mulheres na política. O que não é novidade. Não por acaso, as candidaturas femininas, em sua maioria, apenas cobrem a porcentagem exigida pela Justiça Eleitoral.
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