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Preto no Branco

Sem vantagem 

Por Gisele Souto · Redação· 4 min de leitura
Sem vantagem 

A eleição presidencial de 2026 começa a ganhar contornos de uma das disputas mais apertadas dos últimos anos. Pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira coloca Flávio Bolsonaro (PL) com 47% das intenções de voto contra 45% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno. Com margem de erro de 1,8 ponto percentual, os dois estão tecnicamente empatados. Mais do que a fotografia de uma pesquisa, o número revela uma mudança importante no ambiente eleitoral: não há, neste momento, um candidato com vantagem confortável. A eleição parece caminhar para uma disputa voto a voto, na qual pequenos movimentos podem produzir grandes consequências. E isso muda completamente a lógica da campanha. Com uma diferença tão estreita, cada grupo de eleitores passa a ter peso ainda maior. Os indecisos, os eleitores de centro e aqueles que rejeitam os dois principais candidatos podem acabar decidindo uma eleição em que ninguém parece capaz de conquistar sozinho uma maioria confortável. 

Urna e o Supremo

O dado mostrado acima, também mostra que a polarização continua sendo o principal motor da disputa nacional. Lula e Flávio ocupam campos políticos bastante definidos e chegam ao eventual segundo turno com índices elevados de rejeição. Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada, por exemplo, apontou rejeição de 45% a Lula e 47% a Flávio Bolsonaro. É uma eleição em que, ao menos por enquanto, parece haver mais força na rejeição ao adversário do que na capacidade de construir uma unanimidade em torno do próprio candidato. E, enquanto as urnas começam a desenhar uma disputa apertada, outra instituição central da democracia brasileira enfrenta uma crise de proporções igualmente preocupantes.

Guerra interna

Sobre a crise, o Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa talvez seu momento mais delicado dos últimos anos. O problema não é apenas a existência de divergências entre ministros — algo natural em uma Corte colegiada. O que chama atenção é a dimensão que as disputas individuais vêm assumindo. Alexandre de Moraes, André Mendonça, Flávio Dino e Edson Fachin passaram a ocupar o centro de uma crise que envolve decisões conflitantes, investigações, Polícia Federal e o chamado caso Master. O episódio mais recente é emblemático. Na quarta-feira, Fachin retirou de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News, que estava sob sua condução desde 2019, e determinou que novas apurações envolvendo ministros do Supremo dependam de autorização da Presidência da Corte. Ao mesmo tempo, suspendeu decisões conflitantes de Mendonça e Dino sobre o comando da Polícia Federal. Moraes anunciou que faria um pronunciamento sobre a crise e as revelações do caso Master. Pouco depois, porém, a fala foi cancelada. A sucessão de acontecimentos produz uma pergunta incômoda: em que momento a disputa entre ministros começa a ser maior do que a própria instituição? 

Protagonismo perigoso

Definitivamente, o Supremo não pode depender da personalidade de seus integrantes para preservar sua autoridade. A força de uma Corte constitucional deveria estar justamente na instituição, nos seus procedimentos e nas decisões colegiadas — e não na capacidade individual de um ministro de concentrar investigações, pautas e decisões de enorme repercussão política. Mesmo quando cada ministro acredita estar agindo dentro de suas atribuições, a sucessão de decisões individuais e reversões transmite ao cidadão comum a sensação de que existem vários Supremos funcionando simultaneamente. E esse talvez seja o maior risco. Quanto mais poder a instituição acumula, maior precisa ser sua preocupação com previsibilidade, colegialidade e limites. E instituições fortes não precisam de protagonistas maiores que elas.

Estado de choque 

Na verdade, quem não está? Mas, é assim que o candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, diz se sentir com as últimas reviravoltas envolvendo o STF . A resposta foi dada pelo político em agenda em São Paulo, após ser questionado pela imprensa sobre as atitudes mais recentes do ministro Edson Fachin. Na sua visão, os poderes têm que ser independentes, mas estou profundamente chocado, porque todo cargo eletivo ou todo colaborador público de carreira tem um empregado que é o contribuinte.  As declarações foram dadas durante uma visita de cortesia de Cury ao presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaff. Cury declarou apoio ao manifesto divulgado nesta quarta-feira,9, pela instituição. O texto, assinado por três mil instituições e capitaneado pela Federação das Indústrias, intitulado "Manifesto à Nação Brasileira", afirma que a situação não se trata de um "episódio isolado" nem de "um ruído passageiro". E tem razão. trata-se de uma situação vergonhosa, além de mal exemplo. 


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