Picuinha

Os últimos dias têm sido de troca de farpas entre o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o presidente Lula (PT) - e seus ministros. O principal tópico é a insatisfação do governador com os vetos ao projeto de pagamento das dívidas com a União. Na declaração mais recente, Lula disse: “O que nós fizemos para os estados que não pagavam a dívida, talvez só Jesus Cristo fizesse se ele concorresse à Presidência da República deste país”. Em resposta, Zema usou as redes sociais para afirmar: “Presidente Lula, Jesus Cristo perdoaria todas as dívidas e jamais cobraria juros abusivos de quem ajuda a construir o Brasil. Vamos honrar todas nossas obrigações, mas esperamos que os Deputados derrubem os vetos ao Propag para trazer justiça e previsibilidade ao Estado”.
Política
Essa discussão pública é totalmente infrutífera. Apesar das evidentes diferenças ideológicas, presidente e governador deveriam ser capazes de dialogar e, principalmente, encontrar denominadores em comum. O que temos visto cada vez mais na política é a busca por visibilidade. Brigar atrai mais atenção e popularidade do que, de fato, trabalhar nos bastidores em busca de uma solução. As cobranças públicas podem, sim, ser úteis, mas principais para os legisladores em suas fiscalizações. Agora, ver dois chefes do Executivo discutindo é apenas birra ideológica, em que cada lado não quer favorecer o outro. Todos querem créditos, mas ninguém quer colocar a mão na massa.
Possíveis adversários
O governador, inclusive, não participou da assinatura da concessão da BR-381, em Brasília, nesta semana. A expectativa é que quase R$ 10 bilhões sejam investidos na rodovia nos próximos anos. Zema alegou ser meramente um “evento burocrático” e, por isso, esteve ausente. Não é apenas isso. Com Zema já tendo manifestado reiterada vezes seu interesse em integrar uma chapa à disputa da presidência, é nítido que não quer ser fotografado ao lado de Lula, seu possível concorrente.
País (in)justo
Aumentou. O teto do funcionalismo público é, a partir de fevereiro, de R$ 46.366,19. Esse valor, no ano passado, era de R$ 44.008,52. E, enquanto isso, quem sustenta a classe política vê seu poder de compra cada vez menor, sufocado por contas e cada vez mais contas. Poucos com muito, muitos com pouco.
Eleição
A eleição mais importante é sempre a próxima para os políticos. Basta ver os discursos e posicionamentos. Muitos vereadores se comportam como representantes federais, abraçando pautas fora de sua alçada. E muitos políticos federais mais preocupados com outros países do que o próprio Brasil. E não pensem que, em todos os casos, é puramente falta de desconhecimento sobre as atribuições do próprio cargo. Muitas vezes, é justamente de caso pensado, visando uma cargo mais alto na próxima eleição e tentar ampliar seu alcance através de discursos menos locais. E, como sempre nessa história, quem perde é sempre o povo, que vê os eleitos se perderem em egos, vaidades e ambições, onde apenas a ganância pelo poder prevalece.
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