Ilegal, não...

...mas imoral, com certeza. Depois de enorme repercussão negativa sobre o reajuste do vale-alimentação, a Câmara tentou justificar a medida por meio de nota, na manhã desta quinta-feira, 9. Conforme as explicações do comando da Casa, tudo está em conformidade com a legislação vigente, portanto, não havendo assim, nenhuma ilegalidade ou irregularidade. Cá para nós, isso nem precisaria perder tempo para explicar, visto que seria leviano aprovar um privilégio desse tamanho, se não estivesse de acordo com alguma norma, ou sem o aval do departamento jurídico do Legislativo. O que se questiona não é a legalidade, mas sim, um aumento tão significativo para quem não precisa, num momento tão complicado na economia e escasso de recursos que beneficiem a população. Afinal, é ela quem paga a conta.
Nem todos…
...nem tanto. Outra justificativa da nota é que os vereadores não se limitam ao trabalho realizado apenas nos dias de reunião, às terças e quintas-feiras. Que exercem suas funções diariamente, com dedicação, comprometimento e atividades que se estendem nas manhãs, tardes e noites. Deveria, no entanto, não é bem assim que funciona. Não são todos e nem todos os dias tem tanta demanda. E se fosse para ser desse jeito, não tinham nem que concorrer a uma vaga. Pois esse deveria ser, sim, o rito do trabalho. E a boa parte que tem outras profissões ou atua em algo paralelo? Também tem toda esta disponibilidade? Seria o correto, pois o bom salário, outras vantagens, como este vale-alimentação e estar no cargo, já são mais do que suficientes? Dito isso, falar em dedicação integral, é desnecessário.
Ah,sim…
...o povo agora é lembrado. Para ser tapeado e acreditar nas explicações, como acredita nas promessas ao eleger a maioria dos representantes? Por isso, agora é convidado a se atentar aos resultados do trabalho dos vereadores, observando as obras — é trabalho do Executivo — conquistas e benefícios que Divinópolis tem alcançado fruto do empenho e da responsabilidade de seus representantes. É fato que a população deixa a desejar no acompanhamento dos mandatos, na fiscalização, mas usar isso agora, é meio que justificar o injustificável. Já que não há alternativa, é continuar torcendo para que um dia, esses eleitores caiam na realidade.
Pela hora da morte…
…e reflete na vida. E não é de hoje. Os preços no setor de alimentação nos últimos anos estão impraticáveis. Porém, do ano passado pra cá, está impossível fazer uma compra completa porque os produtos dispararam. Quem tem um certo poder aquisitivo encontra dificuldades, imagine o trabalhador que não consegue comprar o básico. Visto que ainda em dezembro quando se falava em reajuste do mínimo, muita coisa subiu. Neste sentido, um aumento ajuda e muito, e o vereador, não fica de fora de enfrentar as dificuldades, a depender de cada um. Mas, não poderia ser um valor menor, uma vez que mais que triplicou? Este é o questionamento a se fazer. Pulou de R$ 508,00 para R$ 2.021,22 fixo a partir de agora — antes era pago conforme os dias trabalhados — é bem mais alto do que salário mínimo atual que é de R$ 1.518,00. A discrepância é absurda com aqueles que tiram desse mínimo, para sustentar a mordomia.
Manda quem pode…
…obedece quem tem juízo. A decisão em reajustar o vale-alimentação, assim como as outras é da Mesa Diretora. Por mais que um ou outro vereador não comungue, não há o que fazer. Neste caso, os demais que não estão entre os quatro que pertencem à Mesa, pelo menos, consultados? Essa é a pergunta que todos querem saber a resposta. Se não foram, aceitaram de boa? É simples assim? Caso o silêncio permaneça, já se pode começar acreditar em um possível acordo, como dizem os boatos por aí. “Não haverá aumento de salário, o que teria uma repercussão ainda mais negativa, mas uma elevação despistada para suprir? Tomara que não.
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