Nãoooooooooo!

Ele não falou isso. Melhor seria se não, mas rasgou com todas as letras. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que costuma dar uma derrapada em seus comentários, ou se equivocar em algumas informações, desta vez conseguiu piorar a situação. Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, disse não acreditar que houve regime militar e que tudo é uma questão de interpretação. Oi? Falar que o que alguns falam da época pode ter exageros, é uma coisa, mas negar o regime autoritário que exilou tanta gente e calou a boca de tantos outros, já é demais. Ele comentou essa “aberração” ao responder que, se, caso fosse eleito presidente, concederia indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Não foram concedidos indultos a assassinos e sequestradores aqui, durante o que eles chamam de ditadura”, argumentou, completando a resposta Zema. E seguiu afirmando que nunca aprofundou no tema regime militar porque não é um historiador. Ficou ainda pior. Pois na tentativa de consertar a “besteira” que falou, se enrolou mais ainda. Visto que não precisa ser um historiador para estar por dentro da época sombria no Brasil. Até alunos do ensino fundamental, dão aula sobre o assunto. Assim não dá, governador, para ser presidente.
Ela é a dona?
E quando se trata de Romeu Zema, não é a primeira vez que ele dá uma manota tão grande sobre um assunto de conhecimento geral. Uma foi bem aqui em Divinópolis. Ao ser presenteado por Flaviano Cunha em podcast e presenteado com um livro da poeta Adélia Prado, ele perguntou se ela era dona da emissora em que o jornalista trabalha. Sem graça, visto que uma escritora conhecida no Brasil, era esperado que o governador do estado em que ela nasceu que pelo menos tivesse ouvido falar. Depois tentou se justificar, mas a população não engoliu, e acabou virando motivo de chacota.
Lista vermelha
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que ainda não deu “o ar da graça”, seja lá para onde ela tenha ido, foi incluída na lista de difusão vermelha da Interpol nesta quinta-feira, a pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a medida, Zambelli passa a ser considerada foragida internacional em 196 países e pode ser presa fora do Brasil. A decisão foi tomada após a parlamentar deixar o país, menos de um mês depois de ser condenada pela Primeira Turma do STF a dez anos e oito meses de prisão por associação criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Além da inclusão na lista da Interpol, Moraes decretou a prisão preventiva da parlamentar, determinou o bloqueio de seus bens, salários, contas bancárias, imóveis, veículos, embarcações e aeronaves, além da suspensão de seus passaportes. O ministro também ordenou que plataformas como Meta, X (antigo Twitter), Telegram, YouTube, TikTok, LinkedIn e Gettr removam todos os perfis da deputada em até duas horas, sob pena de multa diária de R$ 50 mil, o que já ocorreu em algumas redes da parlamentar. Se a situação já era tensa, agora deu ruim demais para a deputada.
Se complicou
O PSDB aprovou, ontem, em Brasília, a incorporação do Podemos, partido que defende fusão com mudança de nome, número e comando compartilhado entre as duas siglas. Aí, que a situação se complicou entre as legendas. Pois, no caso da incorporação, normalmente, prevalece o nome de apenas um dos partidos. A insatisfação do Podemos foi tanta, que a convenção foi realizada sem a presença da cúpula do partido. A ausência foi vista com um sinal de que o processo de negociação não vai bem. A união das legendas é tida como fundamental para a sobrevivência dos tucanos, enfraquecido nos últimos anos, que estavam federados com o Cidadania. Os peemedebistas que batiam de frente com o PT, rivalidade que ocorre hoje com o PL, vem diminuindo desde 2014, quando o deputado federal Aécio Neves (PSDB) perdeu a eleição presidencial para Dilma Rousseff (PT) e após o surgimento do bolsonarismo, que literalmente tomou o lugar dos tucanos. E é na tentativa de voltar ao protagonismo que a sigla está apostando. No entanto, já começou mal.
E agora?
Cada um dos partidos enxerga as vantagens à sua maneira. O Podemos ganharia com a importância intelectual da sigla de Aécio Neves, que por sua vez, continua preferindo a disputa por cargos no Executivo, não qualquer um, os principais do país: governador e presidente. Já o Podemos, além de rico, é um partido focado em fazer deputados federais. Em Minas, por exemplo, tem um problemão. A legenda precisará abrigar dois caciques, como são chamados os principais nomes de uma sigla: Aécio Neves, que é deputado federal, e o Secretário da Casa Civil de Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro, que mesmo sendo do PP, praticamente, responde pelo Podemos no Estado. Ai, ai, ai!
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