Ridículo, mais um vez

A Marcha dos Prefeitos, realizada terça e quarta-feira desta semana em Brasília, só confirmou o que aconteceu com Virgínia Fonseca na "CPI das Bets" no Senado, quanto aos representantes do povo. Ao invés de fazerem o "dever de casa", preferem tietar em busca de holofotes. Alguns nobres prefeitos de diversos municípios brasileiros foram no mesmo caminho ao ovacionar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na quarta durante sua participação no evento. Para se ter uma ideia da gravidade, muitos deles teriam uma reunião na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, responsável pela articulação política do governo federal, desistiram do encontro para recepcionar o ex-chefe do Executivo. Ou seja, deixaram de defender os municípios pelos quais são responsáveis, para "babar ovo". Esses são os representantes do povo atualmente.
'Não tenho obsessão pelo poder'
Foi uma das falas de Bolsonaro em seu discurso. Percebe-se. Estar em um evento sem exercer nenhum cargo político, onde encontraria inúmeros bajuladores mostra exatamente isso, ou ao contrário? Difícil saber quem pior. Os que mentem descaradamente, os puxa-sacos que endeusam certos seres humanos, ou o povo está cada dia mais cego. Outra fala que comprova o tanto que ele não busca o poder, é ter falado que pode se candidatar ao Planalto em 2026 caso consiga se livrar do processo por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF). E como não poderia deixar de ser, outra vez, aplaudido de forma inflamada pelo seu público. Dispensa comentários.
Fim da reeleição?
Como diriam os mais antigos, "eu só acredito, vendo". Pelo menos, se depender da aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que deu ok à proposta nesta quarta-feira, 21, em votação simbólica. A PEC põe fim à reeleição para os cargos de prefeito, governador e presidente da República. O texto também propõe o aumento do tempo de mandato para todos os cargos eletivos (vereadores, deputados estaduais, federais e senadores), além da unificação do calendário eleitoral do país. A duração dos mandatos também seria alterada, estabelecendo dez anos para senadores e cinco anos para os demais cargos — como presidente, governadores, deputados e vereadores. No entanto, os senadores também devem ser incluídos nos cinco anos. Antes de seguir para votação no plenário do Senado, os parlamentares ainda devem analisar os destaques, que são sugestões para alterar trechos específicos do texto. Aí, se pode ilustrar com um trecho de uma música sertaneja: "é aí que mora o perigo.."
Unificação e reeleição
A unificação das eleições visa realizar, em uma mesma data, tanto os pleitos municipais quanto os estaduais e federais, que hoje acontecem com um intervalo de dois anos. O sonho de muita gente, que além de não precisar ir às urnas de 2 e 2 anos, sobraria muita grana para investir em áreas carentes no país, especialmente na Saúde. Além disso, a reeleição só seria permitida para cargos no Legislativo. O modelo atual de reeleição para presidente, governador e prefeitos foi introduzido em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), permitindo que o então presidente concorresse a um segundo mandato no ano seguinte — o que de fato ocorreu, com vitória nas urnas em 1998. Para ser aprovada no plenário, a PEC precisa do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação. Se passar pelo Senado, seguirá para análise da Câmara dos Deputados. Outro perigo iminente.
Não afetaria
A medida nem foi aprovada e já surgiram algumas dúvidas. E os atuais políticos com mandatos no Executivo? Conforme a proposta, governadores e o presidente da República eleitos em 2026 ainda poderão tentar a reeleição pela última vez em 2030. O mesmo vale para os prefeitos eleitos no ano passado, como Gleidson Azevedo (Novo) que ainda terão a possibilidade de concorrer a um segundo mandato em 2028. Assim, a medida não afetaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o sucessor do governador Romeu Zema (Novo), nem os prefeitos eleitos em 2024.
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