Preto no Branco

Sem conserto
Será que alguém tem esperança de que um dia as coisas no Brasil mudem? Sinceramente, do que jeito que andam, sem um "pingo de chance". A cada dia, uma nova operação por desvio de recursos públicos, estelionato, fraudes contra órgãos públicos. Bens apreendidos, gente presa... Mas, assusta alguém ou impede os criminosos de agir? Nem um pouco. Continuam agindo como se as autoridades fechassem os olhos para as práticas delituosas. E não poderia ser diferente. Leis retrógradas cheias de brechas. Tão antigas que já mofaram ou estão cobertas por teias de aranhas e outras "sujeiras". Quem pode mudá-las, ou criar novas? Muita gente não sabe, mas são os políticos. E eles vão fazer armadilhas para eles próprios caírem? Nunquinha da silva!
Sequência inacreditável
O escândalo começou na segunda feira, com conclusão de um inquérito da Polícia Federal (PF) que indiciou 27 pessoas por suspeita de envolvimento no desvio de R$ 23 milhões dos cofres da Prefeitura de Betim durante a pandemia de Covid-19. Resultado que remeteu a Divinópolis, onde tudo começou na mesma época, e resultou na descoberta de um esquema que pode ter provocado rombos milionários nas contas de três prefeituras. Na terça, a PF de Divinópolis cumpriu dois mandados de busca e apreensão na cidade, em operação para combater crimes de estelionato contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Já ontem, uma estrutura de fraudes por meio de cartões de crédito foi alvo de operação do MP em BH e outras cinco cidades. Os crimes são de estelionato, falsidade documental, organização criminosa e lavagem de dinheiro. É por estes e outros exemplos que não dá para acreditar em mudanças no país. Principalmente, pelo fato de muitas vezes, haver participação de quem deveria denunciar ou reprimir.
“Entre Amigos”
Ainda sobre o primeiro fato da semana envolvendo o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS), que geriu a UPA em Divinópolis no período de julho de 2019 até o início de 2022. E os crimes foram cometidos justamente neste período entre entre 2020 e 2021. Desdobramentos da operação “Entre Amigos”, que já chega à terceira fase, apontam que, além de Betim, a organização criminosa supostamente comandada pelo IBDS teria fraudado contratos de prestação de serviços em saúde e superfaturado a compra de materiais em Divinópolis,, e em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH. O rombo aos cofres municipais chega a ao menos R$ 27,5 milhões. Justamente em uma época de maior fragilidade na Saúde em todos os sentidos por causa da pandemia, em que os profissionais realmente comprometidos com a profissão, e o povo sofreu por meses sem saber o que fazer e o para onde correr. Covardia é pouco para denominar o que esses bandidos fizeram. O que consola é que veio à tona. Mas até isso acontecer, muita gente sofreu e morreu.
Meio político
E como dito acima, claro que sem generalizar, tinha que ter envolvimento político. No desdobramento da "Entre Amigos", já com novas informações desta quarta-feira, o IBDS, teria usado a influência no meio político para tentar direcionar verbas federais a ao menos outros 18 municípios mineiros e, posteriormente, obter lucro por meio de contratações ilícitas, sem licitação. É o que aponta outra parte do relatório final da operação que indiciou 27 pessoas por suspeita de envolvimento no esquema criminoso contra as prefeituras. A apuração da investigação em Divinópolis encontrou indícios da tentativa de atuação da organização criminosa em outras 18 cidades desde 2018. Segundo o delegado responsável, Felipe Baeta, provas coletadas durante o inquérito demonstraram que os donos do IBDS contavam com auxílio de pessoas com experiência em gestão pública para atuar como lobistas em Brasília. A meta era atrair recursos para prefeituras que estariam na mira da quadrilha entre 2018 e 2019. O certo é que tem um assessor político em Brasília. Agora, ligado a quem, os próximos passos dirão. Que ainda tem "muito caroço nesse angu", não resta dúvida.
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