As cortinas do 13 de maio

Augusto Fidelis
Essa data nos lembra pelos menos dois acontecimentos da maior importância, tanto do ponto de vista sociológico como religioso. O primeiro, ocorrido em 1888, foi a Abolição da Escravatura. A Lei Áurea marcou o clímax de uma longa batalha para que todos os brasileiros fossem livres. Infelizmente, os parlamentares da época não tiveram nenhuma preocupação com o dia seguinte. A liberdade pode ter sido apenas do corpo, não da alma.
Milhares de pessoas, talvez milhões, jogadas ao relento, sem ter para onde ir. Toda essa gente passou a morar em habitações rústicas e improvisadas, em locais sem nenhuma estrutura pública, sem emprego, sem dignidade. Há 138 anos essa situação persiste. A República, na verdade um golpe de estado contra o Império, não foi capaz de volver o olhar e se compadecer dos desvalidos da nação. Ainda somos escravos do sistema, do poder econômico. As injustiças se repetem como se não houvesse lei nem governo.
As cortinas do dia 13 de maio acabam de se fechar, mas o que comemorar? Bem, essa data, no entanto, fará eco até o próximo domingo, dia 17, às 14 horas, quando Frei Leonardo Lucas Pereira receberá no Santuário de Santo Antônio os congadeiros da cidade. Os pobres são mais solidários e não cessam de agradecer a Deus pela vida, pela comida e até mesmo pelas adversidades, pois, lhes dão a oportunidade de mostrar o quanto são fortes. O canto de lamento relembra o passado, mas há a consciência de que o presente tem de ser vivido aqui e agora para que as gerações futuras tenham melhor sorte.
O outro evento dessa data ocorreu em 1917, em Portugal, quando Nossa Senhora apareceu às crianças pastoras, nas imediações da cidade de Fátima. Confidenciou segredos e lhes pediu orações pelo mundo. A mãe de Cristo, detentora de tantos títulos, há 109 anos é também invocada como Nossa Senhora de Fátima, com templos erguidos em sua homenagem em várias partes do planeta. Advogada dos pecadores não se cansa de interceder diante do Trono Celeste em prol de todos quantos necessitam do seu auxílio.
Também em Divinópolis Nossa Senhora de Fátima é honrada com uma igreja no Bairro Porto Velho. Inclusive, a grande festa aconteceu nessa quarta-feira, com grande participação de fiéis nos seis horários de missas e animadíssimas barraquinhas, particularmente à noite. A permanência do pároco fez bem à comunidade, que lota a igreja com participação muito mais calorosa. Assim, todas as gerações bendizem a mãe do Redentor, porque o Senhor lhe fez maravilhas. Em tempo: se fosse vivo, o ex-vereador José Constantino Sobrinho faria aniversário nessa mesma data. Seu nome é lembrado numa rua do Bairro Danilo Passos I, onde ele morava.
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