Fábrica de monstrinhos

Augusto Fidelis
Foi com um misto de surpresa e satisfação que recebi o convite para o lançamento do livro “Fábrica de Monstrinhos”, de Mariquita, o qual será apresentado ao público no dia 1º de junho, às 17h, na La Maison Rosé, a livraria mais chique de Paris, que fica na avenida Champs-Élyesées, nas proximidades do Arco do Triunfo. Por causa desse evento, que movimenta a sociedade europeia, a internacional não virá para as comemorações dos 114 anos de emancipação político-administrativa de Divinópolis.
Em “Fábrica de Monstrinhos”, dona Mariquita trata da difícil relação entre pais e filhos, bem como das influências malignas do mundo moderno na educação da atual geração. Para desenvolver a sua tese, a escritora ouviu mais de mil pessoas mundo afora, inclusive duas personalidades de Divinópolis: Gabi e Rosângela Carvalho. Na última hora, dona Mariquita incluiu um capítulo sobre Isabella Nardoni, cujo assassinato mobilizou os meios de comunicação por muitos dias e comoveu a sociedade brasileira.
No referido capítulo, dona Mariquita não usa meias palavras. Para ela, o verdadeiro assassino de Isabella é o avô paterno, e afirma categoricamente: “Alexandre Nardoni, adulto, pai de três filhos, é uma pessoa vazia de sentimentos e de perspectivas, uma vez que até a pensão alimentícia de Isabella era paga pelo avô. Alexandre foi acobertado pelo pai em tudo que fez de errado na vida, inclusive na morte da própria filha.
De capítulo em capítulo, dona Mariquita vai tecendo as experiências de cá e de lá colhidas junto aos entrevistados, que relatam os fatos vividos ou observados ao longo da existência. Rosângela Carvalho aparece no terceiro capítulo e Gabi no quinto, onde relata não as suas experiências, mas o que presenciara na selva africana, durante um safári. Se não me falha a memória, foi no Congo, onde Gabi e um grupo de italianos puderam observar a rotina de uma família de gorilas, numa proximidade jamais imaginada.
É sabido que os macacos se preocupam em catar parasitas uns nos outros, por questão de saúde. Segundo Gabi, em determinado momento, uma macaca recolheu ao colo seu filhote, para a revista diária. Logo se aproximaram outros macaquinhos, que chamavam o revistado para brincar, mas a mãe não abriu mão.
Ante à inquietação do filhote, primeiro a mãe chamou-lhe atenção com um guincho; como ele prosseguiu na desobediência, ela o sacudiu com certa rispidez e, por fim, deu-lhe algumas palmadas, o que o fez sossegar. Em síntese, dona Mariquita concorda que as coisas estão difíceis mesmo, mas acusa muitos pais de negligência na educação dos seus rebentos. Estou na maior insistência com a internacional para que venha lançar sua obra no nosso meio, pois aqui tem muita gente precisando dessa luz. Estou certo ou errado?
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