Felizes os que confiam no Senhor

Augusto Fidelis
Mistério! Há muito mistério rodando o mundo! Há sete anos a humanidade foi surpreendida com uma pandemia medonha, que colocou tudo de pernas para o ar. Como foi possível um vírus, de estrutura tão insignificante, surgido num ponto do planeta, colocar os seres humanos em polvorosa? Desespero, mortes, quarentena, interrupção da cadeia produtiva, desavenças, pequenos e grandes golpes na praça, muito medo da morte.
A mídia, especialista em más notícias, não cessa de inundar corações e mentes com o pior que se pode encontrar aqui e acolá. Está tudo péssimo e a expectativa é que piore, pois o mundo não voltou à normalidade que se anseia, pois, depois da pandemia, as guerras assolam o mundo e afetam pessoas que, aparentemente, não tem nada a ver com o conflito. Há quem procure se reinventar, mas quem cair pode não se levantar.
Mas há ainda alguma esperança, porque um sepulcro está vazio. Verá a luz no final deste tenebroso túnel quem tiver a humildade de entender que o ser humano não é nada, que pode ser abatido por algo invisível, da noite para o dia. À beira da sepultura cessa todo orgulho, toda vaidade. Por mais petulante que seja alguém, haverá o momento em que terá de se curvar.
Perante a situação que se nos apresenta, faz-se necessário erguer o braço e agarrar à mão de quem é o Caminho, a Verdade e a Vida. Curiosamente, neste ano, todas as igrejas estiveram lotadas na Semana Santa, inclusive na Vigília Pascoal, cerimônia que antes congregava poucos fiéis. Jesus foi abandonado pelos seus amigos, inclusive durante o carnaval, quando foi alvo de escárnio, de deboche, mas Ele não se esqueceu daqueles que o Pai lhe dera e orou em favor deles.
Aliás, orou não só em favor dos seus amigos, mas também dos seus algozes: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Portanto, estará fortalecido aquele que se achega a Jesus e confia no seu amor. Em verdade, não é só de pão que vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Jesus é a palavra encarnada, por isso, a Ele a honra e a glória, e façamos nossas as palavras do salmista: “Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! A minha alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja como a terra sedenta e sem água!”
Bem se sabe que não há ressureição sem cruz. Mas, passada a Sexta-feira da Paixão, os aleluias da Páscoa eclodiram, porque foi ouvido o hino daqueles que confiam no Senhor: “Já surge a luz dourada, as trevas dissipando, que as almas do abismo aos poucos vai levando (...). Que a luz nos traga paz, pureza ao coração: longe a palavra falsa, o pensamento vão.” Em tempo: Feliz Páscoa!
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