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Augusto Ambrosio Fidelis

Memórias Republicanas

Por Bruno
Memórias Republicanas

Vi uma entrevista de Maria Thereza Goulart, exclusiva ao programa Amaury Jr, na qual a ex-primeira-dama do Brasil falou de suas alegrias e tristezas ao lado do ex-presidente João Goulart, deposto pelo Levante Militar de 1964. Thereza Goulart é testemunha ocular da história contemporânea do país, pois ela própria esteve dentro do olho do furacão. Perguntada por que se mantém tão reclusa, alegou ter traumas a multidões.

Thereza Goulart contou, na referida entrevista, que embora ela e Jango fossem conterrâneos, da cidade de São Borjas (RS), só o conheceu pessoalmente na festa dos seus 15 anos, organizada por uma tia, no Rio de Janeiro. Compareceram à festa figuras importantes da República, dentre as quais João Goulart. Foi nessa oportunidade que começaram a namorar, da parte dela sem nenhum compromisso, apenas para curtir o momento, mas casaram-se dois anos depois.

Até agora, foi a primeira-dama mais jovem e mais linda do Brasil, como disse repetidas vezes Amaury Jr. Conheceu os poderosos da época, como John Kennedy, mas apontou Che Guevara como o homem mais fascinante. Inclusive, a foto que tirou com ele desejava colocá-la dentro do seu quarto, mas foi proibida por Jango. O dependurou no corredor, mas recebeu reclamações do marido: “Todas as vezes que vou entrar no meu quarto tenho de olhar para a cara daquele barbudo”.

Confirmou a fama do marido, de grande namorador, mas disse que nunca teve ciúmes. Desfez o mito de que Jango fora envenenado, pois, segundo ela, esteve ao seu lado o tempo todo nos dias que precederam a sua morte, a qual se deu na sua companhia, no Uruguai. Jango tinha problemas cardíacos e não se cuidava. Para preservar a sua memória, foi erguido um memorial para marcar os 30 anos do seu falecimento.

Um detalhe que chamou muito a minha atenção foi quando Thereza Goulart afirmou que adorou ser a primeira-dama, tinha tudo na mão, do bom e do melhor. Quando pessoas que ocupam cargos públicos dizem que estão fazendo sacrifícios, para ela é uma grande mentira, pois o poder é maravilhoso e, para tê-lo, tem gente que é capaz de tudo: mentiras, trapaças, roubalheira, desonestidade, puxa tapete. Portanto, Thereza Goulart diz que não proíbe, mas não quer seus netos metidos em política partidária.

Eu já ouvi prefeitos, vereadores, secretários, deputados e tantos outros ocupantes de cargos de destaque reclamarem: “Estou perdendo dinheiro, por ter me afastado da iniciativa privada, para dar minha conta de sacrifício à minha cidade etc”. É possível que não estejam mentindo, mas no mínimo faltam com a verdade. Estão ali porque lutaram para isso, inclusive, em certos casos, usaram até de chantagem. Thereza Goulart não usou estas palavras, mas concluí, com os meus botões, que o poder é uma delícia, tem gosto de ambrosia.

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