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Augusto Ambrosio Fidelis

Silêncio, por favor

Por Bruno
Silêncio, por favor

Em uma matéria publicada na revista Diálogo Médico, a jornalista Kátia Azevedo dá conta de que no século XVI, a rainha Elizabeth I, da Inglaterra, baixou um decreto proibindo que os maridos surrassem as suas mulheres após as 22 horas. Afinal, os nobres e plebeus precisavam dormir. Como se vê, a falta de bons modos vem de longe, porém acentuada nos nossos dias. 

“A vida é cheia de som e fúria” é o título da matéria que trata do problema da poluição sonora e diz que, o excesso de ruídos, além de provocar a perda do humor e da audição, altera até as funções sexuais. “Não é à toa que desde a antiguidade os homens já se preocupavam com o barulho”, enfatizou a jornalista, para acrescentar que os sons “indesejáveis” se dividem em dois tipos:

1 – Os ruídos que causam danos pela conotação emocional ou psicológica que carregam, como o choro de uma criança, gritos de pessoas em sofrimento, barulho de avião, para quem já sofreu acidente;

2 – Os sons de grande intensidade e frequência, cujos efeitos são diretos, afetando todo ser vivo, como o som de uma explosão ou de um show de rock. Em casos extremos, podem levar à surdez gradativa. 

Tendo como base uma entrevista concedida pelo médico Edgar Rezende, do Hospital das Clínicas da USP, a jornalista afirma que a preocupação com o ruído excessivo vem desde a Grécia antiga, quando o trabalho em metal e a criação de galos só poderiam ocorrer fora dos limites da cidade. “O mundo sempre foi ruidoso. Do vento às folhas que caem, há um som próprio para cada movimento e a natureza sabe bem como lidar com cada um. Os mamíferos de grande porte, por exemplo, nunca moram próximos a quedas d’água, porque o estrondo forte os incomoda”, diz Kátia Azevedo.

No Brasil, as autoridades custaram a se dar conta do grave problema da poluição sonora, já que a lei do silêncio só veio em 1992. No entanto, segundo o professor Gualberto Baring, da Faculdade de Arquitetura da USP, um ruído só se torna barulho quando é inconveniente para quem o ouve, e dá exemplos: “Uma mãe pode morar ao lado de uma fábrica e ter um sono tranquilo, mas pode se incomodar com o choro de uma criança, porque é sinal de que algo não vai bem”. 

Da minha parte, não sei o que dizer, já que, para mim, Divinópolis está se tornando excessivamente ruidosa. Se não bastasse o barulho inevitável, emitido por várias fontes, há aqueles propositais, como os carros particulares com possantes caixas de som. E o que é pior: as músicas de muito mau gosto. Tal qual as pragas do antigo Egito, o excesso de som ameaça os pós-modernistas com a surdez eterna. Que tal aproveitar a Quaresma para fazer um pouco de silêncio?

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