Câmara de Divinópolis arquiva pedido de cassação de Vitor Costa

Jonny Reisle
Foi arquivado pela Câmara Municipal de Divinópolis nesta terça-feira, 28, o pedido de cassação do mandato do vereador Vitor Costa (PT), colocando fim a um dos episódios mais repercutidos da política local nas últimas semanas. A decisão foi tomada após análise da Corregedoria da Casa, que avaliou os elementos apresentados na denúncia e na defesa do parlamentar.
O caso, que teve origem em uma publicação em um grupo de mensagens, evoluiu para um debate intenso no plenário, que contou com a mobilização de apoiadores e debates sobre os limites da atuação de agentes públicos no ambiente digital.
Ponto final
O arquivamento encerra formalmente a tramitação do pedido no Legislativo municipal, garantindo a permanência de Vitor Costa no cargo. Ao longo do processo, o episódio mobilizou diferentes setores da sociedade e provocou forte repercussão entre os vereadores, evidenciando um cenário de tensão e polarização política dentro da Câmara.
Nos dias que antecederam a decisão, a expectativa pelo desfecho aumentou, especialmente diante da visibilidade que o caso ganhou nas redes sociais e na imprensa regional.
Agradecimentos do parlamentar
Na terça-feira, data em que foi apresentada a defesa formal, apoiadores do vereador compareceram à sede do Legislativo para acompanhar o andamento do caso. Após a confirmação do arquivamento, Vitor Costa agradeceu o apoio recebido e comentar os desdobramentos do processo.
Em sua fala, ele criticou a postura de adversários políticos e afirmou ter sido alvo de ataques pessoais durante a tramitação.
— Mesmo em um dia chuvoso, tivemos pessoas aqui nos apoiando. Ainda assim, houve quem debochasse da quantidade de presentes e fizesse insinuações ofensivas. Eu estava com minha família, com minha avó de 88 anos, com apoiadores e com pessoas que merecem respeito — declarou o vereador.
O parlamentar ainda ressaltou que pretende reagir sempre que considerar sua honra atingida.
— Toda vez que a minha honra ou a de um dos meus for desrespeitada, vocês vão me ver buscando meus direitos — afirmou.
Em outro momento, ele avaliou o clima político na Câmara e criticou o uso da tribuna para confrontos pessoais.
— É péssimo que pessoas públicas utilizem seus espaços de fala para atacar uns aos outros, mas, em determinadas situações, a defesa se torna necessária — completou.
Juventude x Inexperiência
Durante sua manifestação, Vitor Costa também abordou críticas relacionadas à sua idade. Aos 27 anos, ele destacou sua trajetória profissional como forma de reafirmar sua legitimidade no exercício do mandato. Segundo o parlamentar, sua experiência de trabalho começou ainda na adolescência, com passagem por cursos de qualificação e atuação formal no mercado antes de ingressar na vida pública, exaltando que existe uma diferença entre ser jovem e inexperiente.
O que levou ao pedido?
O pedido de cassação teve início após a repercussão de uma mensagem publicada pelo vereador em um grupo de uma rede social, cujo conteúdo foi considerado inadequado por um colega parlamentar, o vereador Matheus Dias (Avante), autor da denúncia. A alegação apresentada foi de quebra de decoro parlamentar, o que motivou a formalização do processo junto à Câmara Municipal. A partir desse momento, o caso passou a ser analisado pela Corregedoria, responsável por avaliar a admissibilidade e os fundamentos da denúncia.
Durante o período de tramitação, o tema foi debatido em diferentes momentos no plenário, com vereadores apresentando posicionamentos divergentes sobre a gravidade do caso e a pertinência da cassação como medida disciplinar. Enquanto alguns parlamentares defenderam a necessidade de apuração rigorosa, outros consideraram a medida desproporcional, destacando a importância de preservar o mandato conferido pelo voto popular.
A Corregedoria destacou o motivo para que a cassação fosse arquivada.
— Um onto determinante para o desfecho desta instrução reside na ausência de identificação direta na postagem original. A imagem publicada pelo representado não continha nome ou fotografia que vinculasse a autoria da mensagem à pessoa do representante. A identificação do vereador Matheus Dias como interlocutor só se tornou pública após sua própria iniciativa de protocolar a denúncia — destacou a Corregedoria.
Com a decisão pelo arquivamento, o processo é encerrado sem aplicação de penalidades ao vereador. Ainda assim, o episódio deixa marcas no cenário político de Divinópolis, evidenciando um ambiente de disputas acirradas e reforçando a necessidade de diálogo institucional. Por meio de debates, manifestações e apoios aos envolvidos, Vitor segue em sua posição normalmente.
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