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Política

Falta de nomes consolidados

Falta de nomes consolidados

O tempo voa, os prazos eleitorais estão a todo vapor, e a disputa pelo Governo de Minas ainda vive um cenário de indefinição porque os principais grupos políticos não conseguiram emplacar um nome natural para sucessão. Sem reeleição do atual governador, as peças se movem com cautela: a base aliada tem quadros fortes, mas divididos entre quem defende continuidade e quem quer voo próprio. Já a oposição enfrenta o dilema de lançar alguém com capilaridade no interior ou apostar em um nome urbano com apelo nas redes. O mesmo pode se dizer da situação que tem um nome próprio, mesmo que seja sem o apoio total, mas não emplaca. Mateus Simões (Novo) não sai dos últimos lugares nas pesquisas. O problema é que essa indecisão trava alianças, congela o orçamento de campanha e deixa prefeitos sem saber a quem se alinhar. Resultado: o eleitor mineiro assiste a um jogo de espera, enquanto pesquisas mostram alto índice de indecisos e voto branco/nulo.

O peso de Minas e o cálculo 

Como em todo processo eleitoral na disputa para presidente da República, todos os olhos se voltam para o Estado. Isso porque Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e costuma ser termômetro para a disputa pela principal cadeira do Executivo do país. Por isso, ninguém quer precipitar a chapa estadual sem saber como ficará o tabuleiro nacional. Os grandes polos — bolsonarismo e lulismo — evitam anunciar candidatos ao governo para não desgastar a figura antes da hora e para manter espaço de negociação com partidos de centro. Ao mesmo tempo, legendas como PSD, MDB e PSDB avaliam se lançam candidatura própria ou se viram fiel da balança num segundo turno. Essa dependência da conjuntura federal cria um vácuo de protagonismo local: faltam projetos específicos para os mineiros, e a pauta estadual fica refém da polarização nacional. Enquanto Brasília não dá o tom, a disputa em Minas segue na mesma. 

A escalada silenciosa 

Outro assunto grave e preocupante. O dado mais grave sobre o abuso contra crianças e adolescentes no Brasil é que a maior parte acontece onde eles deveriam estar mais seguros: dentro de casa. Segundo o Disque 100 e boletins de secretarias de segurança, pais, padrastos, tios e vizinhos próximos são os principais agressores. A violência sexual, física e psicológica cresceu nos últimos anos, mas a subnotificação ainda esconde a real dimensão. Medo, dependência financeira e descrédito na denúncia fazem milhares de casos nunca chegarem às autoridades. A internet agravou o quadro: aliciamento online, exposição e produção de material de abuso explodiram com crianças mais conectadas e menos supervisionadas. Quando o agressor é da família, o silêncio vira regra e a vítima, em alguns casos, infelizmente, carrega o trauma sozinha por anos. O que traz ainda um pouco de esperança são as diversas operações contra este crime covarde, como a desencadeada nesta terça-feira, pela Polícia Federal com o apoio da Civil de vários estados. Em Minas, houve prisões e apreensões. 

Falha na rede de proteção 

A gravidade do abuso também se explica pela fragilidade da rede que deveria proteger. Conselhos Tutelares sucateados, delegacias sem equipe especializada, escolas sem preparo para identificar sinais e saúde pública sobrecarregada formam um ciclo de omissão. Muitos casos só aparecem quando a criança chega ao hospital em estado delicado ou para outros atendimentos. Pior: parte da sociedade ainda relativiza a violência com frases como “foi só uma palmada” ou “ela provocou”, o que blinda agressores e revitimiza quem sofre. Enquanto o abuso for tratado como assunto privado ou “exagero”, os números vão seguir subindo. Proteger crianças e adolescentes exige prioridade real de orçamento, capacitação e punição efetiva — porque impunidade é autorização para o próximo crime. Por isso, campanhas, como “Todos contra a Pedofilia”, idealizada pelo promotor Casé Fortes, são fundamentais e precisam cada vez mais de apoio e adesão. A caminhada acontece já no próximo mês e completa duas décadas. Aplausos. 

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