Câmara sedia lançamento do livro ‘Racismo, Constante como o Tempo’

Da Redação
O violoncelista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Carlos Márcio, lançará o livro "Racismo, Constante como o Tempo" na Câmara Municipal de Divinópolis. A obra laureada é dividida em três partes — poemas, crônicas e ensaio — e traz um revisionismo histórico das produções artísticas, enxergando na música a melodia perfeita para a reflexão.
Natural de Sabará, Região Metropolitana de Belo Horizonte, Carlos Márcio toca violoncelo desde os 17 anos e se especializou em Performance Musical pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi justamente nesse ambiente historicamente ocupado por brancos que ele encontrou o impulso para ir além dos palcos: busca ser referência para jovens negros e usa seus dois dons — a música e a literatura — como ferramentas de enfrentamento ao racismo cotidiano.
— O violoncelo me emprestou um ouvido para o mundo; a escrita me deu uma língua para que tantos olhos enxerguem os silêncios que insistentemente são naturalizados — definiu o autor.
Participações
O livro conta ainda com a participação de dois nomes negros de peso na academia. A professora e ativista Rosália Diogo, pós-doutora em Antropologia pela Universidade de Barcelona, assina o prefácio. Já o posfácio é de Carlos Aleixo dos Reis, primeiro professor negro a alcançar a titularidade na Escola de Música da UFMG em cem anos de história. Juntos, eles reforçam o debate sobre o racismo estrutural presente na sociedade brasileira.
O lançamento acontece no dia 11 de julho, às 19h, na Câmara de Divinópolis.
O autor
Carlos Márcio conheceu o instrumento aos 17 anos por meio de um projeto social na Sociedade Musical Santa Cecília, graduando-se em violoncelo.
Muito antes de pensar em publicar, a escrita já havia se instalado como ferramenta de cura diante do racismo cotidiano. São versos e reflexões nascidos da percepção de suas vivências e do mergulho na História, onde compreendeu que "a Lei Áurea foi sussurro de liberdade, fábula de igualdade e alegoria de fraternidade".
Aos 38 anos, Carlos Márcio venceu no ano passado, o Prêmio Resistência com "Racismo, Constante como o Tempo".
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