Cleitinho Azevedo e Domingos Sávio

Adriana Ferreira
Desde que o nome do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) passou a ser ventilado como candidato ao governo do Estado, o deputado federal e candidato ao Senado, Domingos Sávio (PL) apoiou a ideia e, independentemente de qual partido de direita fosse o vice, o apoio estava formalizado. Em abril passado, no lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), na presença de líderes do PL, inclusive Domingos Sávio, Cleitinho declarou seu total apoio à candidatura de Marcelo Aro (PP) ao Senado. Domingos Sávio se manteve firme, não mudou de ideia sobre apoiar Cleitinho, até mesmo nos momentos de indecisão e fez questão de ir até ele e prestar solidariedade conforme reportagens e vídeos postados no dia dois do corrente mês. Prestou solidariedade como amigo e diante da definição de Cleitinho em não sair candidato, o PL lançou Flávio Roscoe (presidente licenciado da Fiemg) como candidato ao Palácio Tiradentes.
Marcelo Aro sobre Cleitinho
Ao anunciar, na última sexta-feira, 7, mais uma vez e de forma definitiva, sua candidatura ao governo de Minas, Cleitinho Azevedo agradeceu, mas não a Domingos Sávio, que esteve com ele em todos os momentos, mas a Marcelo Aro e afirmou que estará com ele, Aro, no palanque pela sua candidatura ao Senado, na coligação União-Progressistas. Mas uma pergunta que não quer calar: onde estava esse amor em 2022 em que ambos – Cleitinho Azevedo e Marcelo Aro – eram adversários na corrida ao Senado? Na campanha de 2022, Aro disse que Cleitinho era “valentão” diante das câmeras, que fala que vai destruir, que vai quebrar, mas que cara a cara não aguenta “um sopro”, que o Senado não é de “dancinhas” e que “Cleitinho é um desclassificado, só faz barulho e não é homem para defender suas bandeiras”. Ainda fez uma acusação grave: “Eu também quero perguntar para você sobre o desvio de 10 milhões que sua família está sendo acusada aí em Divinópolis. Acho que você tem que dar explicação sobre isso”. Era para Cleitinho manter distância!
É preciso lembrar que
Marcelo Aro era secretário-chefe da Casa Civil no governo Zema e posteriormente foi transferido para a Secretaria Estadual de Governo visando otimizar a articulação política do governo com a ALMG. Com a indefinição de Cleitinho Azevedo, Marcelo Aro deixou a base aliada juntamente com seus apadrinhados (cerca de 500, segundo o atual governador e candidato Mateus Simões (PSD) para estruturar sua própria candidatura ao cargo de governador, o que gerou forte descontentamento no grupo político atual. Simões disse que Aro traiu o ex-governador Romeu Zema (Novo) e ”parasitou” a gestão estadual para nutrir um projeto pessoal de poder. Zema chegou a chamá-lo de “traidor” e “ave de rapina”. Canalha em 2022, traidor em 2026.
Cleitinho sobre Marcelo Aro
Cleitinho, por outro lado, em 2022 fez palanque com Domingos Sávio (PL), e gravou vídeos chamando Marcelo Aro de canalha, covarde, além de acusá-lo de compartilhar fake news contra ele e sua família, além de citar, sem detalhes, supostas irregularidades no uso do fundo eleitoral e destacou a relação de Aro com Eduardo Cunha, a quem Cleitinho já chamou de vagabundo e prometeu que faria campanha contra ele. Porém, Eduardo Cunha, Cleitinho e Aro estarão no mesmo palanque, uma vez que Eduardo Cunha se filiou ao partido de Cleitinho, o Republicanos, e é candidato a deputado federal pela sigla do senador aqui em Minas Gerais, vez que mudou para cá o seu domicílio eleitoral. E tem mais, com a candidatura de Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis, que deixou o cargo com altíssima popularidade, para concorrer ao cargo de deputado federal, tem-se que será grande puxador de votos e poderá ajudar a eleger Eduardo Cunha. Que confusão!
Não se pode ignorar
Após o impeachment de Dilma Rousseff, Cunha enfrentou o declínio político: foi cassado por quebra de decoro parlamentar, preso na operação “Lava Jato” em 2016, condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As pessoas com quem Cleitinho Azevedo estará no palanque e que ajudará a eleger são o oposto de tudo que ele já defendeu até aqui.
Escola
Durante a campanha presidencial de 2006, quando disputava o segundo turno contra o então presidente Lula (PT) candidato à reeleição, Alckmin (ex-PSDB, atual PSB) afirmou em entrevista à Rádio CBN que o petista se assemelhava a um "ladrão de carro" que "rouba” e continua roubando porque sabe que dificilmente será preso". Por conta dessa fala, Lula chegou a obter direito de resposta na Justiça. Em dezembro de 2017, durante a Convenção Nacional do PSDB, Alckmin discursou criticando duramente o PT e o então ex-presidente. Na ocasião, ele declarou expressamente que o desejo de Lula de retornar à Presidência da República representava uma tentativa de "voltar à cena do crime". Lula chamou José Sarney de “ladrão” em 1988, Fernando Collor de “corrupto” em 1989, Fernando Henrique Cardoso de “estelionatário eleitoral” em 1994 e 1998, José Serra de “capacho” em 2002, Geraldo Alckmin de “oportunista” em 2006 e José Serra de “mentiroso” em 2010.
Do ataque à defesa
Em 2022, Alckmin migrou para o PSB e aceitou o convite para compor a chapa de Lula como candidato a vice-presidente, vencendo as eleições daquele ano. Questionado sobre as antigas ofensas, Alckmin justificou publicamente a mudança de postura argumentando que o cenário político do país havia mudado e defendeu que Lula foi alvo de um julgamento parcial que acabou anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Quanto aos demais que Lula se dirigiu por adjetivos pejorativos, pelo poder, fez as pazes com todos.
E como fica para Cleitinho?
São necessárias as justificativas do senador até porque estará no palanque com aqueles que chamou de canalha e vagabundo. Aguardemos os próximos capítulos.
Anistia já!
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