Carregando clima…
Adriana Ferreira

Tira casaco, põe casaco

Por Redação Jornal Agora · Redação· 6 min de leitura
Tira casaco, põe casaco

Adriana Ferreira

A novela do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e a candidatura ao governo de Minas lembrou-nos a cena do filme Karatê Kid (versão 2010), ditada pelo personagem Sr. Han (interpretado por Jackie Chan) ao seu jovem aluno Dre Parker (interpretado por Jaden Smith). Na referida cena a fala "tira casaco, bota casaco"  é usada como uma técnica secreta de treinamento de kung fu e também como metáfora para a importância de repetir os fundamentos básicos, revelando que os movimentos repetitivos criam memória muscular e defesa automática, ambas necessárias para o kung fu. Mas é só na arte marcial chinesa! Na política demonstra insegurança, incerteza, e falta de comprometimento. Nem eleição de representante de sala de aula pode ser conduzida assim, nesse vaívem, como se fosse “brincadeira de criança”. Inexiste espaço para incertezas quando o que está em jogo é administrar um Estado maior que muitos países, segunda maior economia do país que possui uma dívida pública que está em torno de R$ 187 bilhões a R$ 188 bilhões, e que o Estado enfrenta uma situação fiscal difícil, com projeções de que o estoque da dívida possa ultrapassar R$ 211 bilhões nos próximos anos. 

E tem mais

O nome de Cleitinho Azevedo (Republicanos) começou a ser ventilado para o governo estadual em março/2026, ou seja, foram meses para amadurecer ou descartar a ideia. Não se pode desconsiderar que neste período teve a janela para mudança de partido e convites para abraçar outras legendas não faltaram, inclusive do PL, partido de seu irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo, mas ele se manteve firme no Republicanos e deixou que todos que o apoiam dormissem e acordassem com a ideia de tê-lo já sentado na cadeira de mandatário-mor do Palácio Tiradentes.  O presidente nacional do partido, o bispo licenciado da Igreja Universal, advogado e deputado federal por São Paulo, Marcos Pereira, afirmou  "O Cleitinho sempre foi o candidato de todos os republicanos, do PL, com quem tive muitas conversas, dos presidentes nacionais do União e do Progressistas. Todos declararam que apoiariam o senador Cleitinho. Talvez ele não tenha sido candidato de si mesmo. Talvez ele não tenha assumido a liderança do processo, que tem que ser assumido por quem quer governar o estado de Minas Gerais, que é o segundo maior colégio eleitoral deste país", afirmou. 

Entonces 

Se a direita via nele o candidato ideal e o apoio, a esquerda tremia com a ideia, pois Cleitinho vinha liderando todas as pesquisas. Entretanto, pouco antes da convenção estadual do Republicanos, ocorreu a trágica morte de seu irmão Matheus Azevedo. Cleitinho fez um vídeo de IA no qual o irmão recém falecido e o pai, também falecido há cerca de dois anos, apoiavam a sua candidatura ao governo. Então, o que se esperava era somente a concretização, aí virou “Não sei se vou ou se fico, não sei se fico ou se vou. Se vou eu sei que não fico. Se fico eu sei que não vou.” Se na música de Raul Seixas “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante” significa  escolher a evolução constante e a liberdade de mudar de ideia, na política não funciona assim.  Na semana passada o partido disse que ele não era candidato. Logo em seguida convidou a imprensa e em praça pública peitou os caciques do partido e se confirmou candidato. O ex-prefeito e pré-candidato a deputado federal pelo mesmo partido, Gleidson Azevedo, convidou o povo a pressionar e ameaçou desistir da candidatura se a de Cleitinho não fosse viabilizada. Pouco depois, ao lado do presidente nacional do partido, Marcos Pereira, Cleitinho gravou um vídeo dizendo que o luto o impede de ser candidato e exatos dez minutos depois mudar de ideia e se diz candidato. Pode isso?

O que diz o partido

Marcos Pereira se valeu da própria experiência à frente do partido para alertar Cleitinho sobre os desafios de governar Minas Gerais, aconselhando-o a assumir uma postura de liderança mais firme. Na convenção nacional ocorrida na última terça-feira afirmou "Eu gastei cinco horas da minha vida, de quatro da tarde até nove horas da noite. (...) E a sensação que eu tive ao término dessas cinco horas é que eu perdi cinco horas da minha família e da minha vida”.  E completou "Nós não podemos brincar com a vida das pessoas. Tem centenas de pessoas dependendo da sua decisão no âmbito político e milhões de mineiros esperando por uma definição sua".

Vamos acordar?

Uma coisa que chama a atenção nos comentários nas matérias a respeito é que o partido Republicanos não quer Cleitinho Azevedo candidato porque ele enfrentou o sistema. Misericórdia! Quanta ignorância política! Cleitinho teve meses para avaliar, escolher um vice, ver quais nomes para os cargos chaves, grupo de transição de governo. Acorde pacato cidadão! Cleitinho convenceu a muitos, mas não conseguiu convencer a si mesmo. 

E o povo mineiro?

Se antes debochavam de nós pelo nosso jeito de ser e nós não nos importamos com isso porque somos autênticos, hoje somos piada por outro motivo e está complicado não se importar: o vaivém de anúncios. Cleitinho tem que entender que seu comportamento não traz desgaste somente no período eleitoral, mas se eleito, compromete a governabilidade. Como atrair investimentos para o Estado diante do cenário de descredibilidade? Nem precisa responder.

Samonte x Divinópolis

Enquanto a pequena cidade já fez dois governadores em Minas Gerais e um em Pernambuco, Divinópolis vê seu sonho de ter seu primeiro filho ocupando o Palácio Tiradentes se esvair. “É uma dor que dó no peito”

Opinião ou excesso de crítica 

A pré-candidata a deputada federal pelo PT decidiu apontar também para a pessoa chamada Janete Aparecida de Oliveira e não somente para a prefeita Janete Aparecida (Avante). Críticas aos líderes fazem parte da democracia (menos nos países socialistas e comunistas) mas o bom senso deve prevalecer. A pré-candidata sabe que é livre a manifestação do pensamento, porém, a opinião não pode ultrapassar o limite do direito de expressão e atingir ilegalmente a honra, a imagem ou a reputação como vem ocorrendo quando aponta para Janete Aparecida. Vê-se que a pré-candidata não está a questionar serviços e sim proferindo ofensas pessoais além de deboche vexatório. Um exemplo é quando a compara a ditadores. Como é que é? Afinal, quem adora posar ao lado de ditadores é o ídolo da pré-candidata, Lula da Silva (PT). Aliás, ela é socialista, assim como Nicholas Maduro, Fidel Castro, e Daniel Ortega, lembrando que este último acabou de proibir as eleições na Nicarágua, ou quando é de esquerda não é ditadura? Tenha a santa paciência!

Muito cacique 

Haja eleitor para tanto candidato! É muito cacique para pouco índio. 

Anistia Já!




Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Leia também

Mais recentes

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…