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Adriana Ferreira

Feminicídio

Por Bruno
Feminicídio

No dia 09 de março, a Lei 13.104 – Lei do Feminicídio – completou 15 anos, mas não há o que comemorar. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança, de 2023 para 2024 houve um crescimento de 0,8% nos registros de ocorrências. No biênio anterior, o aumento foi de 6,1%. Interessante que o crescimento de assassinatos de mulheres somente pelo fato de serem mulheres vai na contramão dos outros índices de violência. Entre 2023 e 2024, os demais casos de mortes violentas intencionais, por exemplo, caíram 3,4%. No período anterior, a queda havia sido de 2,2%. O que está acontecendo?

Cada um dá o que tem

Nossa “Princesinha do Oeste" foi surpreendida na manhã de ontem, com a morte de uma mulher pelo companheiro, com quem estava havia menos de um mês.  29 anos, dois filhos que  só não presenciaram o ato bárbaro porque estavam dormindo.  Como se não bastasse a violência, o julgamento da vítima, principalmente por outras mulheres, foi impiedoso. Diante dos vexatórios comentários, a advogada Telma Rodrigues, que tem prestado relevantes serviços na defesa das mulheres de modo geral, posicionou-se: “Definitivamente temos que parar de culpar as mulheres! Quem cometeu o crime foi o criminoso. Se relacionamento tóxico fosse só o lado ruim, ninguém entrava. Muitas são manipuladas pelo doce início cheio de ilusões. Essas mulheres precisam de ajuda ANTES de serem mortas, para conseguirem se proteger, se curar e ficarem livres de homens abusivos, criminosos e doentes. Lamento profundamente por mais uma vítima e essas duas crianças. Seguimos na luta pelo FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES! Se você conhece uma mulher que está em relacionamento abusivo, não julgue. Ajude! Temos a @associacaomeuamar que acolhe vítimas de violência doméstica.” Ah, seu perfil no Instagram @advogadatelmarodrigues vale a pena ser seguido. E a coluna a aplaude de pé!

Retrato do país

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, somente os Estados de São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro, e Sergipe demonstram diminuição da violência letal contra mulheres. Roraima, Rondônia, e Mato Grosso, são os que demonstram significativo aumento. Ainda há muito que fazer!

E os homens?

Embora 91,4% das vítimas de homicídio sejam homens, somente 6% são em decorrência de violência doméstica. É inversamente proporcional! Segundo matéria do Metrópole, entre os anos de 2020 e 2024, 45.716 homens foram vítimas do crime de estupro no Brasil. No ano passado, o país bateu o recorde desse tipo de violência, com 10.603 casos registrados, um aumento de 29,4% em relação a 2020, que registrou 8.188. O Brasil registrou em janeiro deste ano,  o maior número de casos de violência sexual contra homens dos últimos 6 anos. Com 1.117 casos, o ano já começou batendo o recorde dos anos anteriores. 2021 iniciou um período de redução nas ocorrências em janeiro com 819, seguido por 629, em 2022; e 753, em 2023. No entanto, em 2024, o número voltou a superar os 832 em 2020 e fechou o mês com 844. Atualmente, janeiro bateu 1.117 e registrou o recorde.

Apoio

A ONG Memórias Masculinas - https://memoriasmasculinas.org/site/ - é composta por profissionais equipes multidisciplinares (Psicologia, Antropologia, Sociologia e Educação, entre outras)  e oferece espaço de escuta para que homens vítimas de violência sexual possam falar sobre essas experiências traumáticas em um ambiente seguro, sem julgamentos e absolutamente sigilosos. Trata-se da primeira organização especializada em atender homens vítimas de violência sexual no Brasil. O psicólogo Denis Ferreira, mestre em Psicologia Social (PUC-SP/2016) e doutor em Saúde Coletiva (Sta. Casa – SP/2022), pesquisador responsável do Núcleo de Estudos Transdisciplinares sobre Violência Sexual e Homens do CNPQ e um dos fundadores da ONG, explica que a ideia surgiu em 2020, motivado pela quantidade de pacientes vítimas da violência que demoravam a buscar ajuda. “Eu já tinha atendido alguns homens vítimas de violência sexual, que não tinham procurado psicoterapia por conta da violência, mas por outras questões, e que no decorrer da psicoterapia eles falaram das situações vividas. No meio do doutorado, vendo prevalência, fatores associados, consequências para a vida desses homens, eu criei junto com um grupo de amigos a Memórias Masculinas”, revela.

Negligência

Claro que a maioria das vítimas de abuso são mulheres e isso não pode ser banalizado e os trabalhos dedicados à violência sexual focam mais, além das mulheres propriamente, em crianças e adolescentes do sexo feminino. Porém faz-se mister um levantamento urgente sobre as vítimas do sexo masculino, de todas as faixas etárias.

Todos contra a pedofilia

Nota 1000 para o promotor Casé Fortes e demais organizadores da caminhada, que teve lugar na última segunda-feira. A colunista, vítima de abuso na infância, e que levou quase 40 anos para superar os traumas, não consegue participar. Ademais, ver as pessoas mais ligadas em tirar selfies para postagens do tipo “eu fui”, sem se preocupar com o objetivo real da caminhada, é desanimador! Mais consciência, menos tietagem!

 Domingos Sávio

A colunista e a advogada Jéssica Fernandes fizeram parte da comitiva do deputado federal Domingos Sávio ao presídio Floramar, quando de seu encontro com os presos do 08 de janeiro de 2023. Havia oito pessoas, sendo um deles com uma condenação absurda, objeto de matéria do Agora nesta terça-feira. Os demais, uma pessoa com deficiência mental e seis retireiros (tiradores de leite). Isso mesmo! Acusados dos seguintes crimes: tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público. Pode isso, Arnaldo? Domingos Sávio, seu outro nome é esperança.

Mulheres Destaque

Aplausos de pé aos organizadores Agora, Acid e Conselho da Mulher Empreendedora. Um evento de mulheres para mulheres, mas claro, uma sociedade equilibrada é feita por mulheres e homens e o evento não é diferente. Seu padrinho master é o empresário Fabiano Cazeca — Multimarcas Consórcios — e o grande homenageado foi o juiz Mauro Riuji Yamane pelo seu incessante trabalho no combate à criminalidade, especialmente no que diz respeito à violência doméstica e também sexual. Vale lembrar que a sentença que condenou o servidor público a 24,6 anos de prisão, confirmada em segunda instância, (matéria exclusiva de capa do Agora de 08 de maio de 2025) foi por ele prolatada.

Andréa Loyola

A colunista agradece à coproprietária da Zoião Veículos pela prodigiosa ajuda no prêmio  “Mulheres Destaque”.

Anistia Já!

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