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Augusto Ambrosio Fidelis

Combate aos motoqueiros

Por Bruno
Combate aos motoqueiros

Augusto Fidelis

Num dia desses joguei dois pães velhos no lixo. Logo depois, quando saía de casa, vi um cachorro deitado à sombra do prédio que fica em frente. O animal tinha a pele sobre os ossos, o que dava a entender que há muito tempo fora abandonado pelo dono. Minha consciência logo chamou-me à atenção: “Veja o absurdo, você jogando pão no lixo e esse cão morrendo de fome”!

Voltei imediatamente, apanhei um dos pães e fui levá-lo ao quadrúpede, certo de que praticava um grande ato de caridade para com aquele “irmão”, segundo a filosofia de São Francisco de Assis. O cachorro cheirou o meu presente por duas vezes e o recusou. Olhou-me demoradamente, com aquele olhar de censura, como se perguntasse: “O que é isso, companheiro”?. Entendi, pedi desculpas e segui adiante, envergonhado.

Fui matutando pelo caminho: se eu tivesse pelo menos um pedaço de carne para colocar dentro do pão ou um molho que o deixasse mais saboroso! Mas eu, por tantas vezes, já comi pão seco, então, porque aquele cachorro, com cara de passa fome, não podia fazer o mesmo?!

Chegando à casa de um amigo relatei-lhe o ocorrido. Ele foi logo me consolando:

“Uai, menino, os cachorros estão assim agora, muito luxentos. Todos os dias, a Teka é obrigada a fazer macarrão com massa de tomate para aquela cachorrinha dela. Se o molho não estiver bem vermelhinho ela não come. Esse cachorro do Guilherme, por exemplo, não quer mais sair para passear a pé, tem de ser de carro. O mundo está perdido”!

Na oportunidade, lembrei-me que no governo Collor, o ministro do Trabalho, Rogério Magri, para justificar o fato de ter levado sua cadela ao veterinário em carro oficial, declarou: “Cachorro também é ser humano”.

Bem, de acordo com a posição do dono, a cachorrada também tem classe social. Há os que tomam banho perfumados e há os que rolam na poeira, mas com elegância. Tenho que admitir: os “Lulus” estão cada vez mais inteligentes. Inclusive, entendem de sinal de trânsito.

Estudos recentes, não sei de qual universidade, salientam como os motoqueiros são mal vistos pelos cães. A cachorrada entende que a batalha não pode ter fim, porque essa gente não emenda, não respeita sinal nem faixa de pedestre.  “Todo aquele que se locomove sobre duas rodas é inimigo. Não percam tempo, camaradas, em lhes morder o calcanhar”, dissera certa vez Lulu Ferrabrás, presidente do Movimento de Cães de Rua.

Por coincidência, ainda ontem, eu vi um cão enorme sentado na esquina da Getúlio Vargas com a Goiás, o qual observava atentamente o abrir e fechar do sinal. Mostrava-se revoltado quando os motoqueiros avançavam. Conclusão: se depender dos cães de rua, os motoqueiros estão ferrados.

augustofidelis1@gmail.com 

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