Carregando clima…
Política

Debates têm ausências de candidatos e viram palco para Gabriel Azevedo atacar adversários

Kalil é principal alvo, com provocações como ‘eu sei que você treme’ e ‘caloteiro’

Por Gabriela Lara · Redação· 6 min de leitura
Debates têm ausências de candidatos e viram palco para Gabriel Azevedo atacar adversários

A reta final da campanha para o Governo de Minas Gerais tem sido marcada pela ausência de candidatos em debates eleitorais e, ao mesmo tempo, pela participação frequente de Gabriel Azevedo (MDB), que tem utilizado esses espaços para questionar e criticar os adversários. A menos de duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, o candidato compareceu aos encontros realizados nos últimos dias e direcionou parte de suas manifestações principalmente a Alexandre Kalil (PDT), além de fazer críticas a Patrus Ananias (PT) e outros concorrentes.


Debates esvaziados

O debate promovido pela Record Minas, na segunda-feira, 21, teve apenas dois participantes: Gabriel Azevedo e o governador Mateus Simões (PSD). Alexandre Kalil, Cleitinho Azevedo (Republicanos), Patrus Ananias e Flávio Roscoe (PL) não participaram do encontro. A programação havia sido organizada para reunir seis candidatos ao Palácio Tiradentes, mas as ausências reduziram o confronto aos dois concorrentes presentes.

A situação chama atenção porque o debate ocorreu justamente na reta final da campanha. Naquele momento, a disputa já se aproximava do primeiro turno e os encontros entre candidatos representavam uma oportunidade para apresentação de propostas, questionamentos e contrapontos diante dos eleitores.

Gabriel Azevedo também havia participado do debate da TV Alterosa, realizado na sexta-feira, 18. Na ocasião, apenas ele, Mateus Simões e Flávio Roscoe compareceram. Cleitinho, Kalil e Patrus ficaram fora do encontro. 

Gabriel nos dois debates fez duras criticas a ausência dos adversários e afirmou que a participação nesses espaços representa uma forma de respeito ao eleitor.


Kalil no centro das críticas

Entre os adversários de Gabriel, Alexandre Kalil passou a ocupar espaço recorrente nas manifestações do candidato do MDB. No debate da TV Alterosa, Gabriel criticou a ausência de Kalil e relacionou a discussão à atuação do ex-prefeito de Belo Horizonte na educação municipal. Em sua manifestação, afirmou que, durante os oito anos da gestão de Márcio Lacerda, o Ideb da capital vinha subindo e que teria caído após a chegada de Kalil à Prefeitura.

Gabriel também repetiu uma provocação associada ao futebol e à trajetória de Kalil no Atlético Mineiro. Durante o debate, levou um cartaz com a expressão ‘Kalil, eu sei que você treme’, frase conhecida entre torcedores de Atlético direcionada a torcida do Cruzeiro. A apresentadora do encontro chegou a interromper a ação e afirmou que, pelas regras do debate, não era permitido apresentar papel durante a transmissão.

Novamente diante da ausência de Kalil, na segunda-feira, 21, Gabriel voltou a abordar o adversário. O tema principal do bloco em que ocorreu a discussão era a situação financeira de Minas Gerais e a dívida do Estado com a União. Gabriel perguntou a Mateus Simões quem seria o candidato mais “caloteiro” da eleição. O governador respondeu direcionando a expressão a Kalil e mencionou dívidas atribuídas ao ex-prefeito com o município, empresas, fornecedores e antigos funcionários.

Dados da Secretaria Municipal de Fazenda de Belo Horizonte citados no debate apontavam que Kalil possuía R$ 12,6 mil em dívida ativa não ajuizada e outros R$ 209,5 mil em dívida ajuizada com a administração municipal. Os valores estavam relacionados à Taxa de Manutenção dos Cemitérios Municipais e ao Imposto Predial e Territorial Urbano.

Gabriel também levou para o debate a situação financeira do Atlético Mineiro durante a gestão de Kalil no clube. Na manifestação, afirmou conhecer a administração do Atlético e questionou a intenção do ex-prefeito de disputar o Governo de Minas.


Kalil rebate críticas

Alexandre Kalil, por sua vez, rebateu as críticas feitas por Mateus Simões e Gabriel Azevedo sobre sua atuação como prefeito de Belo Horizonte diante dos temporais que atingiram a capital em 2020. Questionado pela reportagem, por meio de sua assessoria, o candidato afirmou que, durante seus mandatos, entre 2017 e 2022, foram executadas e planejadas obras de contenção de enchentes, macrodrenagem e redução dos impactos das chuvas.

Segundo a equipe de Kalil, os investimentos somaram cerca de R$ 1 bilhão em recursos próprios e financiamentos. Entre as intervenções citadas estão obras na região de Venda Nova, na bacia do Ribeirão Isidoro e na avenida Vilarinho. A assessoria também mencionou intervenções nos córregos da Lareira e dos Camarões, além do projeto de construção de três bacias de detenção para amortecimento das águas dos temporais.

Também foram citadas obras de canalização e contenção em córregos como o Olaria e intervenções na bacia do Ribeirão Arrudas. A equipe mencionou ainda projetos executivos de drenagem para corredores considerados historicamente problemáticos, como as avenidas Prudente de Moraes, Silva Lobo e Francisco Sá.

De acordo com a assessoria, a gestão também realizou obras de contenção de encostas e áreas de risco geológico em vilas e favelas, com construção de muros de arrimo, estabilização de encostas e drenagem superficial. A equipe afirma ainda que houve monitoramento geológico e remoção preventiva de famílias que viviam em áreas consideradas de maior risco antes do período chuvoso.

Kalil também atribuiu parte das limitações de sua gestão à relação com a Câmara Municipal.

— Importante frisar que muitas outras obras seriam realizadas se a Câmara Municipal não tivesse negado empréstimo para a prefeitura executá-las — afirmou.


Críticas a Patrus

Apesar de Kalil aparecer como alvo frequente das declarações de Gabriel, Patrus Ananias também foi citado nos debates. O candidato do PT havia confirmado presença no encontro da Record, mas não compareceu. Gabriel aproveitou a ausência para questionar a disposição do petista em participar dos debates e discutir suas propostas para Minas.

A educação foi um dos pontos utilizados por Gabriel para criticar Patrus. O candidato do MDB classificou como “assustador” o interesse de Patrus em retomar o diálogo sobre a Escola Plural, modelo pedagógico implantado durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte. Gabriel afirmou que, na avaliação dele, o modelo teria provocado prejuízos à aprendizagem de gerações de estudantes.

Gabriel também criticou a ausência de Patrus nos debates e questionou a trajetória política do adversário. Segundo ele, a participação nos encontros é parte do processo democrático e permite que os eleitores conheçam e comparem as propostas apresentadas pelos candidatos. Patrus, por sua vez, teve sua campanha citada nas informações sobre o debate por ter justificado a ausência diante do esvaziamento do encontro.


Pesquisa

Um aspecto que chama atenção na reta final da campanha eleitoral é que as ausências e os ataques nos debates ocorrem em um cenário no qual os dois candidatos que aparecem nas primeiras posições das pesquisas eleiorais não estão direamente envolvidos nos ataques.

No levantamento RealTime Big Data divulgado em 21 de setembro, Cleitinho aparece com 35% das intenções de voto no cenário estimulado para o primeiro turno, enquanto Patrus registra 19%. Alexandre Kalil e Mateus Simões aparecem com 10% cada, Flávio Roscoe tem 8% e Gabriel Azevedo, 6%.

No cenário espontâneo, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Cleitinho aparece com 18%, Patrus com 8%, Kalil com 5%, Simões com 3%, Gabriel e Roscoe com 2% cada. Metade dos entrevistados, 50%, declarou não saber ou não respondeu.


Reta final

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, os debates entram em uma fase decisiva da campanha. Até aqui, os encontros têm sido marcados por diferentes níveis de participação dos candidatos e por justificativas distintas para as ausências.

No caso de Gabriel Azevedo, a estratégia tem sido manter presença nos debates e utilizar o espaço para apresentar críticas aos adversários ausentes. Na reta final da campanha, o candidato tem aproveitado esses encontros para ampliar sua exposição pública, buscar repercussão para suas declarações e apresentar-se aos eleitores em um momento decisivo da disputa.


Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Leia também

Mais recentes

Do nosso arquivo

Veja tudo o que publicamos em setembro de 2026

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…