Pessoas físicas já doaram quase R$ 500 milhões para campanhas
Até o momento, 36 doadores destinaram pelo menos R$ 1 milhão às disputas eleitorais

As campanhas eleitorais de 2026 já receberam pelo menos R$ 492 milhões em doações feitas por pessoas físicas a candidatos e partidos. O levantamento, baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi consultado pelo Agora na manhã desta quarta-feira, 23. Até o momento, 36 doadores haviam destinado individualmente pelo menos R$ 1 milhão às disputas eleitorais.
O volume de recursos privados ocorre em um cenário no qual as campanhas também contam com bilhões de reais em financiamento público. Até 20 de setembro, haviam sido declarados R$ 4,68 bilhões provenientes do Fundo Eleitoral e outros R$ 386,2 milhões do Fundo Partidário. Somados, os dois mecanismos representavam R$ 5,06 bilhões.
Considerando os R$ 492 milhões doados por pessoas físicas e os R$ 5,06 bilhões provenientes dos dois fundos públicos, as contribuições privadas correspondiam a cerca de 9,7% desse montante.
Maiores valores
Entre os doadores que aparecem no levantamento nacional, o maior volume individual havia sido destinado pelo empresário Carlos Seabra Suarez, ligado aos setores de gás natural e energia. Ele contribuiu com aproximadamente R$ 5,74 milhões.
Na sequência, aparecem Alexandre Grendene Bartelle, com R$ 3,95 milhões; Rubens Ometto Silveira Mello, com R$ 3,9 milhões; Robert Carlos Lyra, com R$ 2,654 milhões; e Pedro Grendene Bartelle, com R$ 2,6 milhões.
Somados, os cinco maiores doadores haviam destinado R$ 18,844 milhões a candidatos e partidos. Alexandre e Pedro Grendene Bartelle são cofundadores da fabricante de calçados Grendene. Rubens Ometto preside o conselho de administração da Cosan, enquanto Robert Lyra ocupa a presidência da Delta Sucroenergia.
O ranking considera conjuntamente as doações destinadas a candidatos e legendas.
Concentração
Quando o recorte considera somente os recursos entregues diretamente às candidaturas, a distribuição das doações apresenta diferenças significativas entre os grupos de financiadores.
Dados da plataforma 72Horas apontam que 929 pessoas haviam doado mais de R$ 50 mil cada. Esse grupo representava aproximadamente 2% dos 47,7 mil doadores identificados, mas concentrava R$ 180,27 milhões, o equivalente a cerca de 48% das doações de pessoas físicas feitas diretamente às campanhas.
Na outra extremidade estão 27.656 pessoas que contribuíram com até R$ 2 mil. Elas correspondiam a 58% dos doadores e, juntas, haviam destinado R$ 20,15 milhões, valor equivalente a 5,4% do total.
Os dois grupos não abrangem todos os doadores. Pessoas que contribuíram com mais de R$ 2 mil e até R$ 50 mil ficaram fora dos dois recortes utilizados na comparação.
Apoio a candidatos
Os maiores financiadores também apresentaram maior frequência de distribuição dos recursos entre diferentes candidaturas. Aproximadamente uma em cada três pessoas desse grupo doou para mais de um nome.
Entre os pequenos doadores, a proporção foi bem menor: cerca de uma em cada 63 pessoas contribuiu para mais de uma candidatura. Mais da metade dos recursos entregues pelos grandes doadores veio de pessoas que dividiram suas contribuições entre diferentes campanhas.
A distribuição dos valores também apresenta diferenças quando são consideradas as características dos candidatos que receberam os recursos.
Homens brancos ficaram com 68% do dinheiro proveniente dos grandes doadores, embora representassem 46% das candidaturas que haviam recebido algum valor de pessoas físicas. Entre os pequenos doadores, os homens brancos receberam 49% dos recursos.
As mulheres receberam 24% do dinheiro doado pelos pequenos financiadores e 13% dos recursos provenientes dos grandes. Já os candidatos pretos e pardos ficaram com 37% das contribuições do primeiro grupo e 22% das do segundo.
Entre as mulheres negras, a diferença também aparece no volume de recursos. Elas representavam 12% das candidaturas que receberam doações de pessoas físicas, mas ficaram com 11% do dinheiro dos pequenos doadores e apenas 3% dos recursos destinados pelos grandes financiadores.
Regras de financiamento
O financiamento empresarial de campanhas eleitorais é proibido no Brasil. Entre as fontes permitidas estão os recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário, distribuídos pelos partidos, além das doações feitas por pessoas físicas, inclusive por meio de financiamento coletivo, e dos recursos próprios dos candidatos.
Para as eleições de 2026, as regras do TSE estabelecem que cada pessoa física pode doar até 10% dos rendimentos brutos obtidos no ano anterior. No caso do autofinanciamento, o limite é de 10% do teto de gastos estabelecido para o cargo disputado.
Também há regras específicas para a movimentação dos valores. Doações financeiras iguais ou superiores a R$ 1.064,10 devem ser realizadas por transferência entre as contas bancárias do doador e do beneficiário ou por meio de cheque cruzado e nominal.
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