Dia Nacional da Poesia (31/10): Comemorar junto aos poetas da cidade!

No Dia Nacional da Poesia, 31 de outubro (sexta-feira próxima), vamos ter uma noite de homenagem aos poetas da cidade! Serão mais de 80 poetas convidados para serem prestigiados pela comunidade. Quero aqui reforçar o convite aos poetas e familiares, a estarem no evento. E hoje, publico três poetas, comemorando sua poética ligada às questões de gênero e o mundo feminino.
A primeira poeta é Thaís Campolina (Divinópolis/1989), autora dos livros “eu investigo qualquer coisa sem registro” (Crivo Editorial, 2021) e "estado febril" (Macabéa Edições, 2024), entre outros. Também é mediadora de leitura nos clubes Cidade Solitária, Leia Mulheres Divinópolis e Casa das Poetas, além de curadora da página “Bafo de Poesia”.
Vamos nos deliciar de sua poética, nos versos abaixo, do livro “estado febril”, que fazem uma poesia contemporânea, instigante, portadora de uma forte voz feminina. Leiamos.
A SOCIEDADE DAS POETAS VIVAS
além da margem
já no encontro
com o corpo celular
dos neurônios
as palavras viram
um unguento
prateado líquido
e possivelmente tóxico
para quem não foi acostumado
a essas altas doses
de incômodo
com os joelhos avermelhados
de mercúrio-cromo
ou merthiolate
descobri
a desobediência
da linguagem
A outra poeta, que apresentamos do cenário literário de Divinópolis, é a psicanalista Alessandra Amaral. Nascida em Goiânia/GO e desde os seis anos de idade reside em Divinópolis/MG. É pós-graduada em Clínica Psicanalítica Lacaniana (ESPE) e Psicanálise com Crianças e adolescentes: teoria e clínica (ESPE) e Estudo da teoria de Freud (IBRAP).
Como poeta, tem
vários poemas,
que disponibiliza
na rede social. Vamos
conhecer sua verve
poética, com um tom
também feminista!
QUAL É A QUESTÃO NO SER MULHER
Qual é a questão em Ser Mulher...
Qual a questão com a feminilidade...
Qual a questão em si, de sim, Tornar-se Mulher...
Qual a questão em Ser amada na impossibilidade de completude...
Qual a questão gestacional de vidas...
Qual a questão em não-saber dizer, mas escutar com todos os poros...
Qual a questão em escolher outra coisa; outra coisa que não seja...
Qual a questão que brota da fonte, em outras, outras, outras...
Qual a questão de sentir e tomar para si o que é unicamente seu...
Qual a questão em autorizar em si o Desejo de Mulher...
Qual a questão de endereçar o que con-vida a...
Qual a questão de ser tocada e fazer tocar pelo sexo ...
Qual a questão que continua, continua, con-ti-nua a amar ...
Qual a questão em não ter questão de sair ilesamente marcada em Ser Mulher...
E, por fim, temos a novíssima poeta em Divinópolis (veio de São Francisco/MG nesse ano e tem apenas 15 anos), Ester Nunes. Ela mesma se descreve: “desde que aprendi a escrever, eu componho poesias. Sempre fui uma menina fechada e com dificuldades de comunicação, então encontrei na escrita um conforto. Hoje eu falo pelas minhas poesias, e as minhas poesias refletem o que sou”. Tem assim uma prosa poética denunciadora e ao mesmo tempo, com um lirismo suave.
A ÁGUA
A água sobe como um atleta em busca de sua medalha, pergunto-me o quão fundo pode ser esse sentimento que me cerca. Com o que exatamente estou lidando? É que eu não aprendi a nadar e esse muro me sufoca... A água já passou de meus joelhos, tento lembrar como se fala, mas esse é um caminho sem volta. As palavras se perdem no vão de minha boca, meu corpo treme pelo frio, neste momento queria gritar tudo que me transborda, mas, a água já chegou à porta. A água sempre me sufoca...”.
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