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Cláudio Guadalupe

Hugo de Lara: Presente! O momento de homenagear os poetas

Por Bruno
Hugo de Lara: Presente! O momento de homenagear os poetas

Cláudio Guadalupe

Dia Nacional da Poesia, 31 de outubro, foi uma noite feliz para os poetas presentes na HOMENAGEM AOS POETAS, organizada pela ADL e o Coletivo ARTEFERIA. Com mais de cinquenta poetas presentes e seus familiares, quem foi, viu um encontro com  diversidade cultural-artística da cidade. Estiveram na Câmara Municipal, poetas como Carlos Lopes, Antônio Domingos Franco, Humberto Lara, Fabiano Fuscaldi, Lucas Galvão, Cláudio Guadalupe, Ana Cláudia Gonçalves, Marcelo Martins, Pâmela Diniz, Paulo Milagre, Jéssica Sabrina, Savanah Monteiro, Julieta de Souza, Maria Imaculada, Aristides Salgado, Juvenal Bernardes, Augusto Fidélis e tantos outros que abrilhantaram o evento. 

Mas foi na leitura de agradecimentos do Professor e poeta Humberto Lara, que reencontramos HUGO DE LARA, um grande poeta por ele representado. E hoje, quero aqui revalorizar este poeta divinopolitano.

Hugo de Lara

O escritor José Geraldo de Carvalho, recentemente escreveu um texto para Hugo de Lara. Assim, ele apresentou o poeta:

"Todo. Por inteiro". Um operário da letra... carne e alma à flor da pele... um furacão ativo... âncora e pluma em um só tempo...guerreiro e pacificador em outro...Inquieta...Classificado...rotulado... Incompreendido... quase um fora da lei... uma contradição. Cuidadoso e descuidado consigo mesmo”.

Assim era o ativista cultural e poeta Hugo de Lara. Calado, circunspecto, mas com todas as vozes da rebeldia. Nos anos 1970, o conheci, através de um livro distribuído numa manifestação de estudantes em BH. O livro continha uma prosa poética delirante, muito doce e de aguda crítica à sociedade. Leia abaixo a prosa poética retirada daquele livro intitulado MINAS – MANIFESTO LITERÁRIO - RELICÁRIO DO INFERNO (1978):

“Eu desenho o que a dor me permite, Eu guardo segredos mais negros e de sangue profundo. Repouso estendido sobre pedras espalhadas...aqueço a terra úmida dos charcos. Repouso com os invertebrados na lama, repousam minha alma que chorou sem resultado e a tua que sorriu em vão”

Já no livro O SUJEITO E

O VERBO (1997), o poeta

em dois longos poemas, 

reflete as relações do 

homem com o Divino.

Leiam abaixo e 

confirmem a sua expressividade bíblica e ao mesmo tempo, muito poética.

O VERBO

Naquele tempo os homens habitavam a terra

naquele tempo a morte era criadora,

tomava a ida dos seres todos, também dos

homens

e tornava a vida um eterno devir.

Naquele tempo Eu estava feliz,

acreditava na eternidade do paraíso,

acreditava na eternidade do sol e do dia,

acreditava na eternidade da lua e da note... 

Em 2024, Hugo de Lara publicou o livro UM PRESENTE DE NATAL (Versos para celebrar e refletir), a celebração do abraço entre o céu e a terra na época Natalina. São      

poemas carregados de saudades, eternidade dos sentimentos e com um espírito natalino, ainda vigente no peito do poeta. Vejamos que poema lindo, com a esperançosa conotação natalina.

Todo natal

céu e terra se abraçam.

Para que a terra tenha espírito.

Para que o céu tenha vida

Para que o homem tenha Deus

Para que Deus tenha o homem

Já no ano de 2025, dentro do “Projeto Divino Livros” da ADL, Humberto Lara e Hugo de Lara nos presentearam com o livro SEMEIO: UMA ANTOLOGIA POÉTICA, onde os dois irmãos de alma, dialogam com muita intensidade, as questões profundas, filosóficas, que atormentam e/ou alimentam os homens, em suas utopias. Senão como explicar este poema, antropologicamente metafísico de Hugo de Lara:

Foi escrevendo versos

que descobri que a realidade

das coisas

não precisam que as coisas 

sejam verdadeiras:

a realidade das coisas 

só precisa que o coração

com grande ternura

e desprendimento

as queira

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