Carregando clima…
Editorial

Direito à saúde 

Direito à saúde 

As obras paradas do Hospital Público Regional Divino Espírito Santo completam na próxima semana oito anos. Ao todo são 14 anos de expectativa. Enquanto a construção não é retomada e finalizada, a grande promessa de melhorias na saúde pública de Divinópolis e região definha em meio ao tempo, ao mato, em meio ao descaso, à falta de interesse. As desculpas e promessas se acumulam ao longo dos anos. A esperança de que um dia a população veja o Hospital Público Regional finalizado e funcionando já foi embora há muito tempo. Em seu lugar há apenas a descrença. Afinal, são oito anos de obras paradas e 14 de espera. Enquanto isso, o povo sofre, e como sofre. Enquanto a solução não vem, e as promessas seguem se acumulando, a população se amontoa na Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h), que não tem vazão. Não tem para onde enviar os pacientes. Quando eles “apenas se amontoam” na Unidade ainda estão no “lucro”. Difícil mesmo é quando um perde a vida por não ter tido tempo para receber um atendimento de qualidade, que lhe garantisse o direito à saúde, como está escrito na Constituição Federal de 1988. 

Oito anos. 2922 dias. Esse é o tempo, ou poderia-se dizer, esse é o abismo onde as promessas e as desculpas se acumularam, junto à falta de interesse e de políticas públicas. O abismo inviabilizou o Hospital Público Regional Divino Espírito Santo até de ser usado até mesmo como palanque político. Afinal, ninguém acredita mais. Hoje, próximo de completar mais um ano quase parada, a obra é apenas o retrato da falta de respeito com o povo, com o dinheiro público, e de como os políticos brasileiros são amadores, e incapazes de fazer o mínimo para uma população que segue lutando para sobreviver a tudo isso. Não existe lado, ideologia, ou partido. Todos, absolutamente todos estão neste mesmo barco. Aquele que escancara todos os dias como o dinheiro público escorre pelo ralo sem o mínimo de respeito e responsabilidade com a população. 

Se um dia a obra será concluída? A promessa é o primeiro semestre de 2025. Por enquanto, a única certeza que se tem é que em meio a essa total falta de interesse e de articulação, o povo segue lutando para ter o mínimo na UPA 24h, que também entra na lista de fiascos da cidade, e forma a “dupla” perfeita para o caos na saúde pública de Divinópolis. Superlotada, sem vazão de pacientes, rede estadual de leitos cheia, sem hospitais. Sobrevivendo. Assim como boa parte da população, que mesmo perante a essa confusão segue, tentando ter um pouco de esperança de que agora, talvez, quem sabe, vai! Afinal, nada melhor do que se iludir, do que acreditar que dessa vez vai ser diferente. Encarar que tudo vai continuar como está é doloroso demais. 

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…