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Editorial

Segue o jogo 

Segue o jogo 

A janela partidária mal fechou e já dá para sentir a eleição batendo à porta. Os bastidores da política estão movimentados. Quem foi, quem ficou, quem mudou, partidos registrados, uma parte já está finalizada. Agora é rumo à arrecadação prévia de recursos na modalidade de financiamento coletivo, e logo em seguida às convenções partidárias, para deliberar sobre coligações e escolher os candidatos aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador. Tudo está engatilhado, frenético, corrido, como manda o figurino. De um lado, os políticos e os candidatos estão a todo vapor, traçando suas estratégias. Do outro, os eleitores, que já demonstram certa ansiedade sobre o que está por vir, e claro, declarar a sua paixão pelo seu grupo. E, para a felicidade de todos, as promessas, as velhas , por sinal, já começam a ser elaboradas. Tudo sincronizado. Alinhado perfeitamente. Que Divinópolis pouco avançou nos últimos anos, isso todos sabem. Que a cidade é um poço sem fim de promessas que nunca serão cumpridas, isso também. Mas, a grande questão em volta disso, talvez seja: o eleitor está preparado para ouvir a verdade?

Exemplificar isso é fácil. Basta pegar a Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h). Superlotada, com profissionais sobrecarregados, um histórico de terceirização terrível, e por aí vai. Inaugurada há 10 anos, a unidade era uma das grandes promessas de melhorias na saúde pública de Divinópolis. No papel apresentado pela Prefeitura em 2014, pouco antes de sua inauguração, tudo perfeito. O paciente daria entrada na UPA, e ficaria internado lá no máximo seis horas. Dependendo da gravidade do caso, ele seria transferido para um hospital no prazo estabelecido. Hoje, uma década depois, o que se vê é que a unidade nunca funcionou de acordo com o que estava estabelecido, e os governantes tiveram que se desdobrar para mantê-la cumprindo o mínimo de sua função. E, é justamente aí que entra o questionamento. Se em agosto, quando as campanhas começarem, e o tempo de promessa estiver a todo vapor, um candidato disser que não há solução para a UPA, os eleitores irão gostar?

Este é apenas um das dezenas de exemplos que podem ser utilizados. Mas, o eleitorado divinopolitano está preparado para ouvir a verdade? Talvez a resposta seja mais simples do que se imagina, com um simples e sonoro: não! Definitivamente os eleitores, além de não estarem prontos para isso, não querem. E, esse caminho de ilusão leva a um único ponto: tudo continuará exatamente como está. Afinal, como se faz mudanças quando a verdade é negada? Como se traz melhorias se o próprio povo não quer enxergar a realidade que lhe cerca, e deseja ansiosamente ser “enganado”? Está aí mais uma conta que não fecha. Analisando tudo com calma, friamente, outra verdade escancarada na cara da população é que os políticos enganam, e os eleitores fingem que acreditam, e tudo está na mais perfeita harmonia. Segue o jogo, porque ele já começou.

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