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Editorial

Não fecha 

Não fecha 

Se tem uma conta que definitivamente não fecha é a da política brasileira. Já antiga, diga-se de passagem, que vem sendo paga pelos brasileiros. Nessa história, o que mais chama a atenção é saber que não existe mocinho nem vilão. Todos estão unidos, seguindo em um ciclo vicioso sem expectativa de se romper. Divido em dois lados, em uma polarização que dominou o Brasil, a verdade é que ambos nunca estiveram tão unidos pela mesma paixão – ou seria loucura? – quanto agora. 

O cenário atual estarrece, dá medo e aumenta a desesperança. Nos faz questionar: qual o destino que nos espera? Que a política brasileira não é “benta”, isso todos sabem. Os últimos fatos envolvendo a execução da vereadora Marielle Franco, trouxeram à tona parte da podridão que o povo já imaginava existir. Um crime com fortes indícios de ter sido encomendado por motivos políticos, mas o que mais impressiona é que nem mesmo as descobertas envolvendo o assassinato da vereadora e do seu motorista, Anderson Gomes, fazem com que os políticos brasileiros disfarcem um pouco do horror que é feito nos bastidores. 

Um dos supostos mandantes do crime, o deputado federal Chiquinho Brazão, está preso desde o dia 24 de março. Para manter a prisão do parlamentar era necessário que a Câmara dos Deputados votasse pela continuidade ou não da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Por incrível que pareça, os parlamentares votaram para que Brazão continuasse preso, referendando a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Mas um outro fato chamou a atenção: os votos contrários. Deputados que batem no peito contra a criminalidade, mas votaram contra manter o deputado federal preso, sob o argumento de que um parlamentar só pode ser detido em flagrante, não tendo sido o caso em questão.

Diante um cenário desses é impossível não repetir o questionamento de Renato Russo: que país é esse? De nada adianta ir para as telas, bater no peito e criar valores ilusórios apenas com o intuito de iludir o eleitor, se na hora de defender mesmo a nação, de dar exemplo, a verdade estar ali estampada. Essa é uma conta que, definitivamente, não fecha. 

A grande questão aqui é: como pensar, sonhar, exigir que o país melhore, evolua, se por aqui a revolta é seletiva? Se o “bandido bom é bandido morto” apenas para aquele que está na favela e, para os “engravatados”, a coisa é diferente? Como sonhar que o Brasil será um dia um país efetivamente desenvolvido quando a realidade que bate à porta escancara para o povo brasileiro que uma coisa é na frente das telas e outra coisa na vida real? Os valores, os princípios e a moralidade são lindos nas redes sociais e nos discursos. Na vida real, onde eles precisam se valer, simplesmente não existem. Essa é uma conta que talvez nunca fechará. O jeito é seguir do jeito que está, apenas na ilusão, onde o pouco já contenta.

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