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Editorial

Grande erro 

Grande erro 

Ainda é difícil expressar em linhas os sentimentos ao ver a situação do Rio Grande do Sul. Nas redes sociais, na imprensa, o que é mostrado ainda é o mínimo do que realmente acontece no Estado. É compreensível, afinal de contas, em meio aos resgates, pessoas feridas, mortas, desaparecidas, nessa luta frenética contra o tempo, quem trabalha, quem ajuda, quem vive tudo isso, se perde. E se torna mais difícil mensurar em palavras, colocar nessas linhas qualquer análise que seja sobre o momento que o aquele Estado vive. Nas redes sociais, o que mais se vê são julgamentos. Todos apontam, de um lado e do outro, o que deve ser feito, e o que não deve. As fake news, então, nem se fala! Infelizmente, mesmo diante um desastre deste tamanho, que requer solidariedade, empatia, e o principal de tudo, verdade, elas seguem cumprindo o seu papel de tornar tudo mais difícil, tudo muito pior do que realmente é, confundindo o povo, e levando o Brasil cada vez mais para este caminho perigoso chamado desinformação. Mas, é justamente neste ponto que mais uma vez os brasileiros se deparam com algo que assola o país há décadas: a falta de preparo para grandes tragédias. De políticas públicas que garantam segurança para o povo em momentos como esse. E, claro, leva à reflexão: até que ponto a população está colhendo o que plantou? 

Mais uma vez, os brasileiros “remediam”. Não há prevenção. Com isso, inocentes pagam com suas vidas. Os rios transbordaram, levaram casas, cidades, vidas, lares, destruiu famílias, deixou lacunas que nunca serão preenchidas, não importa quantas doações serão feitas, quantos milhões chegarão. Para alguns buracos simplesmente nunca haverá preenchimento. Nunca haverá reconstrução. Os rios vão baixar, as ruas serão construídas, o que restou será refeito, mas é fato que, para algumas situações, há apenas um destino: o luto eterno, não existe remédio. Mas, diante disso, algo chama a atenção. O povo segue perdido em suas paixões. Tentam culpabilizar A ou B. Criam teorias que “se isso” ou “aquilo” tivesse sido feito, talvez, quem sabe, se a Madonna não tivesse vindo ao Brasil tudo seria diferente, mas a verdade é que uma dos maiores responsáveis por isso é a própria população, que insiste em seguir cega, apaixonada, apontando, e julgando, esquecendo-se de cobrar o que realmente importa. Mais uma vez está provado que o Brasil não tem estrutura para atuar em grandes tragédias. Aqui, infelizmente a coisa é meio que “se acontecer a gente vê o que faz”. Grande erro. 

E, isso leva a uma só constatação: quem deixa tudo isso acontecer? Os políticos que não fazem, ou o povo que não cobra e deixa a coisa correr solta? Os dois que não previnem? Resposta difícil. De um lado, a certeza de que os avisos de mudanças climáticas são dados a todo instante. Do outro, um povo que prefere negar a realidade e partir para discussões fúteis de quem é a culpa, e seguir acreditando que a sua opinião sobrepõe um fato. Grande engano. É fato: uma hora a conta vem. E, por aqui, ela tá vindo, bem cara, diga-se de passagem.

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